Mulher que pichou estátua do STF com batom diz que foi "levada pelo calor do momento". Foto: Divulgação
Débora Rodrigues dos Santos, mulher que pichou a estátua situada em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante os atos de 8 de janeiro de 2023, afirmou em depoimento que não invadiu nenhuma das sedes dos Três Poderes. A cabeleireira declarou que foi tomada pelo "calor do momento" e que não estava totalmente consciente de seus atos.
Em sua defesa, ela disse que não teve intenção de promover destruição e que se arrepende do ocorrido.
O ministro do STF, Luiz Fux, pediu vista no julgamento virtual sobre a condenação de Débora Rodrigues dos Santos a 14 anos de prisão pela participação nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Débora Rodrigues é acusada de pichar na estátua da Justiça, que fica em frente ao prédio do STF, a frase "Perdeu, mané", durante os atos de 8 de janeiro de 2023.
Não foi apresentada pelo ministro qualquer análise ou manifestação; o pedido de vista apenas solicitou a suspensão do julgamento. Desse modo, graças ao pedido do ministro, o processo foi paralisado e deve retornar à pauta novamente em pelo menos um mês.
Vale lembrar que o julgamento iniciou na última sexta-feira, 21 de fevereiro, em plenário virtual, com o voto de Alexandre de Moraes, que é o relator do caso. Foi fixada por Moraes uma pena de 14 anos para a acusada.
A deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE) utilizou suas redes sociais para expressar sua indignação em relação ao julgamento de Débora Rodrigue.
O caso levou a deputada Clarissa Tércio a comparar essa situação com um episódio semelhante ocorrido em 2016. Naquele ano, a mesma estátua do STF foi alvo de vandalismo com tinta vermelha, mas sem que nenhuma pessoa fosse responsabilizada criminalmente.
Em seu desabafo nas redes sociais, Clarissa lembrou que, durante os protestos de 2016, a pichação na estátua da Justiça, com tinta vermelha entre as pernas da figura, era uma simbologia associada ao aborto.
"Em 2016, quando a esquerda ainda estava no poder, em meio ao impeachment de Dilma, a estátua da Justiça foi vandalizada simbolizando. Curiosamente, ninguém foi preso por isso. Mas, nos dias de hoje... bom, parece que a balança da Justiça anda um pouco mais seletiva.", comentou a deputada.
Ao observar o tratamento dado aos casos de vandalismo, a parlamentar questionou se a Justiça brasileira realmente age de forma justa ou se os critérios de punição variam dependendo da natureza dos envolvidos e da motivação por trás dos atos.
"Justiça de verdade ou só mais um caso de dois pesos, duas medidas?", questionou.
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