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MPPE pede júri popular para delegado que atirou em ambulante em Fernando de Noronha

No documento, o promotor Fernando Cavalcanti Mattos sustenta que a discussão entre os dois e o disparo teriam sido premeditados, motivados por um "ciúme doentio".

Ricardo Lélis

27 de abril de 2026 às 10:22

Delegado é acusado de atirar em morador de Fernando de Noronha.

Delegado é acusado de atirar em morador de Fernando de Noronha. Foto: Divulgação

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) solicitou que o delegado Luiz Alberto Braga seja levado a júri popular em Fernando de Noronha, acusado de atirar na perna de um homem durante uma festa no arquipélago. A vítima, o ambulante Emmanuel Pedro Apory, teve a perna amputada após ser baleado.

A manifestação foi enviada à Justiça na última quinta-feira (23). No documento, o promotor Fernando Cavalcanti Mattos sustenta que a discussão entre os dois e o disparo teriam sido premeditados, motivados por um "ciúme doentio".

Em nota, a defesa do delegado criticou a peça apresentada pelo Ministério Público, afirmando que o texto abandona a objetividade técnica e, em alguns trechos, "representa ofensa pessoal" contra o réu.

Segundo o MPPE, um dia antes do ocorrido, Emmanuel havia conversado com a namorada do delegado, a nutricionista Thamires Silva, em uma academia. O promotor afirma que as testemunhas ouvidas no processo confirmaram que o contato ocorreu por "interesse na sua atividade profissional", ocasião em que houve troca de números de telefone.

Ainda de acordo com o Ministério Público, ao tomar conhecimento da interação, o delegado "injustificadamente, inesperadamente, foi arrebatado pelo ciúme doentio e, consequentemente, pelo receio de perda que só é comum àquelas pessoas fracas de mente, sem autoestima e sem amor-próprio".

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Justiça aceita denúncia

A Justiça de Pernambuco aceitou, em julho do ano passado a denúncia contra o delegado Luiz Alberto Braga. A decisão, assinada pela juíza Fernanda Moura de Carvalho, torna o delegado réu por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil, ciúmes, e por dificultar a defesa da vítima.

A magistrada determinou o afastamento de Luiz Alberto do cargo e o recolhimento de todas as armas de fogo sob sua posse até o fim do julgamento. A medida visa garantir a regularidade da instrução do processo.

O crime aconteceu na madrugada de 5 de maio. Segundo a investigação, o delegado chegou ao evento artístico portando uma pistola e dirigindo uma viatura oficial da Polícia Civil. Testemunhas relataram que o disparo foi motivado por ciúmes da companheira do agente.

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento do disparo. Emmanuel foi baleado na perna e perdeu muito sangue. Um morador improvisou um torniquete, evitando a morte do ambulante. Mesmo assim, ele precisou amputar parte da perna direita após ser transferido do Hospital São Lucas, em Noronha, para o Hospital da Restauração, no Recife.

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