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Moraes nega ser vítima no processo e afirma que Estado brasileiro é alvo dos crimes investigados

Alexandre de Moraes também negou a possibilidade de se declarar impedido para julgar os casos.

Fernanda Diniz

09 de setembro de 2025 às 14:51   - Atualizado às 15:15

Alexandre de Moraes.

Alexandre de Moraes. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, disse nesta terça-feira, 9, que se trata de uma "desinformação" a alegação de que ele estaria sendo relator de um crime do qual é vítima.

Segundo o ministro, a vítima dos crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República contra Jair Bolsonaro e seus aliados "é o Estado brasileiro".

"Outra desinformação que se passa constantemente é que eu estaria sendo relator de um processo de tentativa de homicídio contra mim mesmo. Milícias digitais foram muito utilizadas para divulgar isso. Primeiro que não há nenhum processo de tentativa de homicídio. É mais um ato executório dos crimes imputados pela PGR, demonstrando que a organização criminosa, com divisão de tarefas e hierarquizada, com um líder, Jair Bolsonaro, pretendia impedir que o presidente eleito tomasse posse", afirmou, completando: "Aqui, a vítima é o Estado brasileiro".

Moraes também negou a possibilidade de se declarar impedido para julgar os casos por ter se tornado alvo dos réus, tanto nas críticas, quanto no próprio plano de assassinato revelado nas investigações do processo.

"Qualquer juiz que seja ameaçado, coagido, até agredido, no curso do processo, por quem está sendo investigado, não se torna suspeito ou impedido. Seria muito fácil para a organização criminosa ou os réus escolherem os juízes", alegou o ministro do STF.

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 O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, disse que Jair Bolsonaro "exerceu a função de líder da estrutura criminosa e recebeu ampla contribuição de integrantes do governo federal e das Forças Armadas, utilizando-se da estrutura do Estado brasileiro para implementação de seu projeto autoritário de poder".

"Jair Bolsonaro foi fundamental para reunir indivíduos de extrema confiança do alto escalão do governo federal que integravam o núcleo central da organização criminosa, como Alexandre Ramagem e Anderson Torres. O núcleo central também tinha integrantes militares que ocupavam cargos estratégicos, como Augusto Heleno, Walter Souza Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira e Almir Garnier", disse.

Segundo o ministro, o "grupo criminoso tomou de assalto as estruturas republicanas para se perpetuar no poder", contando com a "expertise de táticas militares em razão de réus e demais membros integrarem as Forças Armadas, inclusive forças especiais".

Disse, ainda, que as funções executadas pelos réus caracterizam a organização criminosa.

Estadão Conteúdo 

 

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