Lula e Lulinha Foto: Agência Brasil/Reprodução
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou o filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, a se colocar à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos sobre as investigações que envolvem o empresário. A orientação ocorreu durante uma reunião realizada na noite da quarta-feira, 19 de agosto, no Palácio da Alvorada.
O encontro contou com a presença do advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, e do candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad. Segundo o advogado, a reunião tinha como objetivo principal discutir compromissos de Lula em São Paulo, e não tratar especificamente dos inquéritos envolvendo o empresário.
Apesar disso, Marco Aurélio afirmou que o presidente deixou clara sua posição em relação ao filho: ele deverá estar disponível para colaborar com as autoridades e responder aos questionamentos da Justiça.
De acordo com o advogado, Lula não pretende criar qualquer tratamento diferenciado para o filho diante das investigações.
Mas a orientação do presidente é para colocar o filho dele à disposição da Justiça", afirmou Marco Aurélio de Carvalho.
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O advogado também declarou que o presidente não deseja que Lulinha seja tratado como alguém acima das regras aplicadas aos demais investigados. Ao mesmo tempo, defendeu que o empresário tenha assegurado o direito ao devido processo legal durante a apuração.
A declaração ocorre enquanto as investigações envolvendo o empresário ganham espaço no cenário político e aumentam a preocupação entre integrantes da campanha de Lula à reeleição.
Segundo informações apresentadas no caso, Lulinha é alvo de três inquéritos relacionados a suspeitas de tráfico de influência e eventual tentativa de obtenção de vantagens junto ao governo federal. As acusações ainda estão sob investigação e não representam, por si só, uma condenação.
Entre os nomes que aparecem nas apurações está o da empresária Roberta Luchsinger, apontada como próxima de Lulinha. Ela possui uma consultoria e teria atuado em negócios relacionados a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", investigado pela Polícia Federal por suspeitas relacionadas ao desvio de recursos de aposentadorias.
Conversas obtidas pelos investigadores passaram a integrar o material analisado pela Polícia Federal. Em uma das frentes da investigação, aparecem tratativas relacionadas ao mercado de cannabis medicinal.
Segundo os elementos citados no inquérito, Roberta teria demonstrado interesse em obter 20% de lucro em um negócio envolvendo medicamentos à base de canabidiol. As investigações também apontam para uma tentativa de comercialização desses produtos para o Sistema Único de Saúde (SUS), sem licitação.
Uma minuta de contrato teria sido encaminhada ao cientista político Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que ocupava o cargo de chefe de gabinete de Lula. Ele afirmou que não encaminhou o documento adiante.
Marcola deixou a campanha presidencial de Lula no último dia 5, após a Polícia Federal identificar pagamentos feitos por Roberta Luchsinger a ele.
O cientista político afirmou, na ocasião, que os valores correspondiam a um empréstimo pessoal e que a dívida já havia sido quitada. Segundo ele, o pagamento foi realizado por meio de uma transferência de R$ 249 mil.
As investigações também mencionam a possível participação de um advogado próximo ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, que atualmente preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em tratativas relacionadas ao contrato de canabidiol.
Outro ponto destacado pela Polícia Federal diz respeito às conversas mantidas por Roberta. Em relatório, os investigadores afirmaram que ela demonstrava ter "autorização" para atuar em nome de Lulinha.
Em uma das conversas analisadas, a empresária teria se apresentado como representante do filho do presidente. "Eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fabio", disse ela, segundo o relatório.
A defesa de Lulinha contesta a forma como informações da investigação vêm sendo divulgadas. Marco Aurélio de Carvalho classificou a divulgação de determinados elementos como "vazamentos seletivos e criminosos" e afirmou que o objetivo seria influenciar o cenário eleitoral.
"Nós queremos que o devido processo legal seja respeitado", insistiu o advogado.
A defesa sustenta que Lulinha deve responder às autoridades dentro das garantias previstas na legislação e que as investigações precisam seguir os procedimentos legais.
"Ninguém está acima da lei, mas também não pode ser tratado como se estivesse abaixo da lei", completou Marco Aurélio.
O posicionamento do advogado acompanha a orientação atribuída a Lula durante a reunião no Palácio da Alvorada: deixar o empresário à disposição da Justiça para prestar os esclarecimentos necessários.
As investigações seguem em andamento, e eventuais responsabilidades ainda dependem da conclusão das apurações e das decisões das autoridades competentes.
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