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Lula mira eleitorado evangélico em busca da reeleição mas PT descarta mobilização política nas igrejas

A orientação, porém, é evitar que a mobilização partidária seja levada para dentro das igrejas, especialmente durante cultos ou em espaços ligados diretamente à estrutura dos templos

Romildo Lacerda

19 de agosto de 2026 às 16:46   - Atualizado às 16:47

Lula sendo abençoado durante evento religioso

Lula sendo abençoado durante evento religioso Foto: Reprodução

A estratégia de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para a disputa pela reeleição em 2026 deverá incluir iniciativas voltadas ao eleitorado evangélico.

A orientação, porém, é evitar que a mobilização partidária seja levada para dentro das igrejas, especialmente durante cultos ou em espaços ligados diretamente à estrutura dos templos.

A informação foi divulgada pela jornalista Jussara Soares, da CNN Brasil. A proposta prevê uma aproximação com eleitores evangélicos em ambientes externos, com ações que busquem apresentar propostas da campanha sem interferir nas atividades religiosas.

A decisão ocorre diante de números da pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto. O levantamento mostra diferenças entre os segmentos religiosos no primeiro turno: Lula aparece com 47% das intenções de voto entre os católicos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registra 27%. Entre os evangélicos, o cenário apresentado pela pesquisa é inverso, com 43% para o senador e 24% para o atual presidente.

PT prepara ações fora das igrejas

O coordenador do Setorial Inter-religioso do PT, Gutierres Barbosa, afirmou que a atuação da campanha deverá respeitar os espaços religiosos. “O púlpito é sagrado. Vamos respeitar”, pontuou.

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Entre as possibilidades avaliadas está a realização de um evento gospel no Rio de Janeiro, sob liderança da deputada federal e candidata ao Senado Benedita da Silva (PT-RJ), que tem trajetória ligada à Igreja Presbiteriana Betânia.

Comitês devem associar programas a temas sociais

Outra frente prevista é a criação de comitês populares comunitários. A ideia é apresentar programas federais, como o Pé-de-Meia e o Desenrola Brasil, além da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e da proposta de encerramento da escala de trabalho 6×1, relacionando essas medidas a temas como proteção familiar e dignidade social.

A campanha também pretende ampliar ações contra a circulação de notícias falsas em redes e comunidades evangélicas.

Música gospel ganha espaço na campanha

A estratégia inclui ainda elementos culturais ligados ao segmento gospel. O jingle “Tapete Vermelho”, interpretado pela cantora Lina Luz, foi utilizado na abertura oficial da campanha em São Bernardo do Campo (SP). Na ocasião, a primeira-dama Janja da Silva e o pastor Kleber Lucas participaram da apresentação da música.

A aproximação com a cultura gospel também dialoga com uma medida adotada pelo governo federal. Em dezembro de 2025, Lula assinou um decreto que reconheceu a cultura gospel como manifestação integrante da cultura nacional.

Com as novas ações, a campanha pretende ampliar o diálogo com eleitores evangélicos, mantendo a orientação de separar a atividade político-partidária das celebrações e estruturas internas das igrejas.
 

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