Diego Castro durante retirada de adesivos de apoio a Lula e Jerônimo Rodrigues na UFBA Foto: Reprodução
O deputado estadual, Diego Castro (PL) retirou, nesta quinta-feira, 20 de agosto, adesivos de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), que estavam afixados na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador.
(Veja vídeo abaixo).
Segundo o parlamentar, a ida à instituição ocorreu após uma denúncia feita por um estudante, que teria questionado a presença do material no espaço universitário. A retirada provocou reações entre estudantes que estavam no local e terminou em protestos e discussões.
Durante o episódio, pessoas contrárias à atuação do deputado o chamaram de “fascista”. Diego Castro, por sua vez, afirmou que sua presença teve como objetivo questionar a utilização de uma área pública para divulgação de material político-eleitoral.
Ao comentar a ação, o deputado argumentou que universidades públicas devem ser espaços destinados ao ensino, à pesquisa e ao debate, sem que sejam utilizadas como extensão de campanhas partidárias.
Universidade pública não é comitê eleitoral de Lula, de Jerônimo ou de partido nenhum. Se querem fazer campanha, que façam nas ruas, nos comitês e dentro das regras eleitorais. O que não pode é transformar um espaço mantido com dinheiro público em extensão de campanha política”, afirmou o deputado.
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De acordo com Diego Castro, a denúncia partiu de um estudante que teria se sentido incomodado com a presença dos adesivos. O parlamentar também defendeu que pessoas com diferentes posições políticas tenham o mesmo direito de se manifestar dentro dos limites estabelecidos pelas regras da instituição e pela legislação.
A retirada do material, no entanto, gerou uma reação imediata entre estudantes. O episódio foi marcado por manifestações contrárias à presença do deputado e por troca de acusações.
Diego Castro afirmou que considerou contraditória a reação de parte dos estudantes diante de seu questionamento. Para ele, o debate sobre a utilização de espaços públicos deve ocorrer independentemente da posição política defendida pelo material.
É curioso que aqueles que dizem defender a democracia reajam dessa maneira quando alguém questiona o uso político da universidade. Fui chamado de fascista simplesmente porque não aceitei calado que um patrimônio público seja utilizado para proselitismo político. Universidade é lugar de ensino, pesquisa, debate e pluralidade, não propriedade de um partido”, declarou.
O deputado também afirmou que pretende solicitar esclarecimentos sobre a origem e a autorização para a colocação dos adesivos. Segundo ele, eventuais medidas poderão ser avaliadas posteriormente, dependendo das informações que forem obtidas.
A discussão levantada pelo parlamentar envolve, principalmente, a distinção entre manifestações políticas e propaganda eleitoral dentro de espaços públicos.
Em outro trecho de sua manifestação, Diego Castro afirmou que as regras devem ser aplicadas independentemente do espectro político associado ao material.
Recebemos a denúncia de quem estuda aqui e não aceita essa apropriação partidária. O estudante não pode entrar em uma universidade federal e ter a sensação de que está entrando em um diretório político. O espaço pertence a todos: a quem é de direita, de esquerda, de centro e a quem simplesmente não quer participar de política”, disse.
O deputado acrescentou que a mesma regra deveria valer caso materiais de apoio a candidatos ou grupos de direita fossem colocados em locais públicos sem autorização.
Se fossem adesivos meus ou de qualquer candidato da direita em espaço público utilizado de maneira irregular, a regra teria que ser a mesma. Não existe dinheiro público de esquerda ou de direita. Existe patrimônio público, e ele não pode ser apropriado eleitoralmente por quem quer que seja”, completou Diego Castro.
Veja:
A legislação eleitoral brasileira estabelece restrições à veiculação de propaganda em bens públicos ou de uso comum. A caracterização de uma irregularidade, entretanto, depende das circunstâncias específicas da exposição, do conteúdo apresentado e de sua eventual classificação como propaganda eleitoral.
No caso ocorrido na UFBA, a discussão deverá considerar justamente essas circunstâncias. A presença de material político em uma universidade não significa, por si só, que tenha ocorrido uma infração eleitoral, sendo necessário avaliar o contexto, a finalidade da exposição e as regras aplicáveis.
Até o momento, o episódio permanece concentrado nas declarações do deputado e na reação provocada entre estudantes. Diego Castro informou que pretende buscar esclarecimentos sobre os adesivos e verificar quais providências poderão ser adotadas.
A situação também reacende o debate sobre os limites para manifestações políticas em instituições públicas de ensino, especialmente em períodos de mobilização eleitoral, quando a presença de materiais relacionados a candidatos e partidos tende a gerar maior atenção e controvérsia.
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