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Lewandowski deixa carta de demissão do Ministério da Justiça a Lula após dois anos no cargo

A decisão acontece após o presidente Lula afirmar, em dezembro, que estuda a divisão da pasta em duas estruturas distintas.

Gabriel Alves

08 de janeiro de 2026 às 15:21   - Atualizado às 15:21

Presidente Lula ao lado de Ricardo Lewandowski.

Presidente Lula ao lado de Ricardo Lewandowski. Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça, entregou, nesta quinta-feira, 8 de janeiro, a carta de saída da chefia do Ministério da Justiça e Segurança Pública ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele informou a seus secretários no mês passado que deixaria a pasta neste mês.

Ele assumiu o cargo em fevereiro de 2024, após se aposentar do Supremo Tribunal Federal (STF).

O aviso ocorreu na segunda-feira, 5 de janeiro, por meio de telefonemas feitos pelo próprio ministro a secretários e pessoas próximas dentro do Ministério da Justiça.

Aliados do ministro dizem que ele está cansado, com a sensação de ter feito tudo o que poderia fazer à frente do cargo, e que precisa ter mais tempo com a família, que sente a sua falta.

Eles avaliam que o último ano de mandato, em que as atenções da classe política se voltam para as eleições, é mais político e tem menor oportunidades para aprovar e implementar novos projetos.

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O secretário-executivo, Manoel Carlos de Almeida Neto, deve assumir ao menos interinamente.

A decisão acontece após Lula afirmar, em dezembro, que estuda a divisão do atual Ministério da Justiça e da Segurança Pública em duas estruturas distintas. A sinalização do presidente mudou o cenário político dentro da pasta e abriu espaço para disputas internas sobre o futuro do comando da área.

Na avaliação de Lewandowski, a divisão do ministério reduziria de forma significativa sua influência e seu campo de atuação. Hoje, a pasta concentra temas estratégicos, como políticas de segurança pública, sistema penitenciário, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e articulação institucional com estados e municípios. Com a separação, parte dessas atribuições poderia migrar para um novo ministério, esvaziando o poder político do titular da Justiça.

Dentro do governo, uma ala do Partido dos Trabalhadores defende que a criação da nova pasta aconteça ainda neste ano. O movimento leva em conta o cenário eleitoral de 2026, quando Lula deve buscar a reeleição. Para esse grupo, a área da segurança pública tem peso político relevante e pode se transformar em um ativo eleitoral importante, especialmente diante da preocupação crescente da população com o tema.

Ao comunicar sua intenção de deixar o cargo, Lewandowski optou por avisar primeiro sua equipe mais próxima. Segundo relatos de integrantes do ministério, ele explicou que a eventual divisão da pasta tornaria sua permanência menos viável do ponto de vista político e administrativo. A leitura interna é que o ministro não pretende permanecer em um cargo com atribuições reduzidas ou em meio a uma reorganização que retire protagonismo da área sob seu comando.

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