padre Júlio Lancellotti. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
O vereador Thomaz Henrique (PL), de São José dos Campos, protocolou uma representação contra o padre Júlio Lancellotti acusando o religioso de utilizar recursos da Paróquia de São Miguel Arcanjo, localizada no bairro da Mooca, em São Paulo, para custear despesas de um processo judicial de caráter particular.
A denúncia faz referência a uma ação por difamação movida pelo religioso contra a vereadora Janaina Ballaris (União) em 2024.
De acordo com a denúncia, o padre teria utilizado a conta da igreja para quitar duas guias de Dare (Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais) em 2025. Uma delas, no valor de R$ 450, foi paga em fevereiro, enquanto a outra, de R$ 1.200, teria sido quitada em novembro.
A Cúria Metropolitana de São Paulo informou que recebeu a representação e afirmou que irá analisar o caso. Até o momento, o religioso não se pronunciou sobre as acusações.
Segundo o documento apresentado pelo vereador, os atos poderiam configurar apropriação indébita e também um ilícito canônico, sob a alegação de que recursos destinados à manutenção da igreja e a ações de caridade teriam sido usados em benefício privado. O parlamentar anexou comprovantes bancários das transferências realizadas.
O parlamentar também afirma que o sacerdote teria cometido heresia e promovido militância político-partidária.
Na representação, Thomaz Henrique afirma que o padre possui atuação ligada a partidos de esquerda, como PT, PSol e PCdoB, além de ter participado de manifestações pró-Palestina e atos contra a anistia dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.
A acusação de heresia tem como base declarações feitas pelo sacerdote durante uma aula aberta na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em 2025.
Na ocasião, Julio Lancellotti teria afirmado que “Jesus também não era católico” e que o “Catolicismo foi inventado depois, por Constantino [imperador romano].”
Ainda segundo a representação, o próprio padre teria ironizado a possibilidade de ser acusado pelas falas. O vereador sustenta que as declarações negam a doutrina de que a Igreja Católica foi fundada por Jesus Cristo.
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