Pernambuco, 16 de Agosto de 2026

Inicio elemento rádio
Icone Rádio Portal

Ouça a Rádio Portal

Final elemento rádio

CNJ investiga absolvição de homem acusado de estupro de menina de 12 anos

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais considerou a existência de suposto 'vínculo familiar e afetivo' entre o acusado e a vítima. O processo tramita sob sigilo.

Ricardo Lélis

23 de fevereiro de 2026 às 17:41   - Atualizado às 17:45

Imagem ilustrativa de mulher.

Imagem ilustrativa de mulher. Foto: Reprodução

A Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) determinou a abertura de investigação após desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais absolverem, por maioria, um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos.

Os magistrados da 9.ª Câmara Criminal da Corte derrubaram, no dia 11, a sentença de primeira instância que havia condenado o réu a nove anos e quatro meses de prisão, ao considerar a existência de suposto 'vínculo familiar e afetivo' entre ele e a vítima. O processo tramita sob sigilo.

O Tribunal de Justiça de Minas informou que "prestará todos os esclarecimentos necessários e adotará as medidas solicitadas" pelo CNJ.

O Corregedor Nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, determinou que o tribunal seja notificado para prestar esclarecimentos.

Nesta segunda-feira, 23, a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) afirmou nas redes sociais ter recebido denúncias de pedofilia contra um desembargador que participou do julgamento.

Veja Também

"Recebi denúncias de pessoas que afirmam ter sido vítimas de pedofilia praticada por um desembargador que participou do julgamento que absolveu um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12", afirmou.

"Diante disso, acionei o Conselho Nacional de Justiça para que os relatos sejam analisados com responsabilidade, transparência e respeito às vítimas. Esse pedido de apuração ocorre em um contexto preocupante: o mesmo julgamento relativizou o crime de estupro de vulnerável, usando argumentos como "vínculo afetivo" e "relação consensual", afirmou a deputada.

A deputada estadual Bella Gonçalves (PSOL-MG) afirmou que recebeu relatos de duas pessoas que afirmam terem sido abusadas, na adolescência, por um desembargador da Corte.

"As denúncias precisam ser apuradas e podem configurar suspeição, o que torna nula a decisão. Como presidenta da CDH/ALMG, vou levar o caso ao Presidente do TJMG e ao CNJ. A Comissão está aberta a receber formalmente as denúncias. Defendo o afastamento cautelar do desembargador e a anulação imediata da decisão que absolveu o estuprador. Não podemos normalizar o abuso", escreveu a deputada.

No domingo, 22, a Ordem dos Advogados do Brasil declarou repúdio à decisão do TJ de Minas.

A OAB citou o Código Penal Brasileiro e afirmou que a legislação estabelece que qualquer relação sexual com menor de 14 anos configura estupro de vulnerável, sem admitir consentimento, união informal ou exceção.

"Menina de 12 anos é criança, não tem maturidade física, emocional ou jurídica para consentir. A Constituição impõe prioridade absoluta e proteção integral, e o Estatuto da Criança e do Adolescente reafirma o dever do Estado e da sociedade", declarou a secretária-geral da OAB, Rose Morais.

Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania também criticou a decisão do tribunal. A pasta destacou que o Brasil adota a proteção integral de crianças e adolescentes e que são inadmissíveis a anuência familiar ou a autodeclaração de vínculo conjugal para relativizar violações.

O ministério acrescentou que "repudia o casamento infantil, prática que constitui grave violação de direitos humanos e aprofunda desigualdades de gênero, raça e classe".

Estadão Conteúdo

Mais Conteúdos

Mais Conteúdos

Mais Lidas

Icone Localização

Recife

05:43, 16 Ago

Imagem Clima

25

°c

Fonte: OpenWeather

Notícias Relacionadas

Escritor e coronel Rubens Pierrotti Junior.
Punição

Justiça Militar condena coronel por denunciar em livro suposta corrupção no Exército

A defesa de Pierrotti defende que a decisão mostra um "deslocamento da realidade e da Constituição" da Corte.

Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro.
Esquema

Polícia Federal deflagra 2ª fase da Operação Sem Refino com ex-governador Cláudio Castro entre alvos

Nova etapa investiga suspeitas de fraudes em licenças ambientais, lavagem de dinheiro e outros crimes relacionados ao setor de combustíveis.

Três policiais militares tiveram a prisão preventiva decretada por morte de homem em 2024.
Decisão

Justiça de PE decreta prisão de três PMs acusados de tortura e morte de homem em Gravatá

Decisão unânime atendeu a recurso do Ministério Público, que apontou risco de interferência na produção de provas durante o andamento do processo.

mais notícias

+

Newsletter