Lula e Camilo Foto: Divulgação
A greve nacional dos servidores técnico-administrativos (TAEs) das universidades e institutos federais de ensino vive um momento de forte expansão. Iniciado há cerca de um mês, o movimento paredista já conta com a adesão de 50 instituições em todo o território nacional, paralisando serviços essenciais e aumentando significativamente a pressão política sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A categoria, que historicamente compõe uma base de apoio importante para o atual governo, agora se coloca em pé de guerra. O estopim para o endurecimento da greve foi o anúncio, feito nesta quinta-feira (26) pelo Ministério da Gestão e da Inovação (MGI), de um reajuste de apenas R$ 17,00 no vale-alimentação. O valor foi recebido com indignação pelos servidores, que o classificaram como uma "afronta".
Para os TAEs, que acumulam perdas salariais estimadas em cerca de 30% entre 2010 e 2026, o aumento proposto não cobre sequer o custo de uma refeição básica em grandes centros. Além disso, o reajuste no auxílio não beneficia os servidores aposentados, o que é visto como uma política de precarização e desvalorização de quem dedicou a vida ao serviço público.
"Anunciar esse aumento agora é uma via do governo se colocar numa posição de quem estaria supostamente concedendo tudo que é possível, mas isso não é verdade", afirma Valéria Muller em análise sobre o cenário. A militância argumenta que os R$ 17,00 não têm impacto significativo no orçamento das famílias, especialmente em um contexto de encarecimento generalizado do custo de vida.
O movimento grevista denuncia, acima de tudo, o não cumprimento do acordo firmado na greve de 2024. A avaliação nas bases é que o Governo Lula tem priorizado o Arcabouço Fiscal e o pagamento da dívida pública a banqueiros em detrimento dos investimentos na educação e da recomposição salarial dos servidores da área.
As categorias organizadas pela Fasubra (Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil) agora exigem que a direção da federação rompa com qualquer política de colaboração com o governo e coloque a greve "na ofensiva". A tendência é o aprofundamento da mobilização, com fortes ações nas ruas para ganhar o apoio da população e visibilidade para a pauta, que inclui também o avanço da jornada de 30 horas semanais sem redução de salário. O impasse na educação federal agora é um dos principais desafios políticos na mesa do presidente Lula.
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