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Caiado lança pré-candidatura e promete anistia a Bolsonaro e condenados pelos atos de 8/1

A saída de Ratinho Jr. do páreo acelerou a reorganização do cenário dentro do partido e abriu caminho para a consolidação do governador goiano como principal opção.

Ricardo Lélis

30 de março de 2026 às 19:05   - Atualizado às 19:05

Ronaldo Caiado ao lado do ex-presidente Bolsonaro.

Ronaldo Caiado ao lado do ex-presidente Bolsonaro. Foto: Reprodução / Redes sociais

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República nesta segunda-feira, 30 de março, prometendo anistia para os condenados pelo 8 de Janeiro e para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros presos por golpe de Estado.

"Meu primeiro ato vai ser a anistia ampla, geral e irrestrita", avisou.

Em seu discurso, ele também exaltou a experiência administrativa no governo de Estado e enfatizou a questão da segurança.

"Não se governa pelo discurso. Se governa pelo exemplo", afirmou ele.

Caiado também lembrou a vitória da direita nas eleições de 2018 com Bolsonaro, mas destacou a volta do PT ao governo no mandato seguinte como o verdadeiro desafio de seu campo.

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"Ganhar do PT é fácil. Difícil é governar para que o PT não seja mais opção".

Caiado foi escolhido pelo PSD para disputar a Presidência da República. O anúncio ocorreu nesta segunda-feira, 30, às 16h, na sede nacional do partido, no centro de São Paulo, e consolida um movimento que ganhou força após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior, da disputa interna.

A definição pelo nome de Caiado ocorre após semanas de articulação nos bastidores e encerra um processo interno que opunha seu nome ao do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

A saída de Ratinho Jr. do páreo acelerou a reorganização do cenário dentro do partido e abriu caminho para a consolidação do governador goiano como principal opção.

Ratinho Jr., que era considerado favorito do presidente da legenda, Gilberto Kassab, desistiu da disputa após refletir com a família e avaliar dificuldades políticas e pessoais, incluindo a condução de sua sucessão no Paraná. Interlocutores relatam que o governador já vinha sinalizando dúvidas desde o fim do ano passado, em reuniões com Kassab.

Com a saída do paranaense, dirigentes do PSD passaram a avaliar que seria difícil contornar a candidatura de Caiado, sobretudo após sua filiação ao partido, oficializada em março. Sob reserva, um integrante da cúpula afirmou que a legenda não conseguiria evitar sua consolidação como candidato.

Pesaram a favor de Caiado a trajetória política, a experiência no Executivo e no Legislativo e a associação a pautas como segurança pública e agronegócio.

Integrantes do conselho político do partido também destacam que o governador não pretende disputar outro cargo, como o Senado, e tem direcionado sua movimentação exclusivamente ao Planalto.

O próprio Caiado chegou a afirmar à reportagem que "não estaria fazendo tudo isso" se sua intenção não fosse disputar a Presidência. Para viabilizar o projeto, ele deixou o União Brasil e se filiou ao PSD.

Apesar da consolidação do nome, a escolha não foi unânime. Parte do partido defendia a indicação de Eduardo Leite, visto como alternativa mais alinhada ao centro político e com potencial para disputar eleitores fora da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A antecipação do anúncio ocorre às vésperas do prazo de desincompatibilização previsto na legislação eleitoral, o que levou o partido a acelerar a definição para evitar prolongar o impasse. A candidatura ainda precisará ser confirmada na convenção partidária, prevista para o meio do ano.

Até lá, o PSD deve intensificar as articulações para a formação da chapa e a eventual construção de alianças. No momento, a tendência é de uma chapa pura, embora Kassab já tenha afirmado que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), seria um "excelente vice".

Zema, por sua vez, mantém a pré-candidatura e nega a possibilidade de compor como vice, inclusive em eventual chapa com Flávio Bolsonaro.

Estadão Conteúdo

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