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Governo Lula diz ao STF que não tem CONDIÇÕES DE IMPEDIR uso do BOLSA FAMÍLIA em apostas online

Em novembro, o ministro Luiz Fux determinou que o governo tome medidas para proibir que recursos de programas sociais sejam direcionados ao pagamento de bets.

Ricardo Lélis

13 de dezembro de 2024 às 17:01   - Atualizado às 17:01

STF confirma liminar que PROÍBE uso do BOLSA FAMÍLIA em BETS

STF confirma liminar que PROÍBE uso do BOLSA FAMÍLIA em BETS Fotos: Agência Brasil

A Advocacia-Geral da União (AGU) disse ao Supremo Tribunal Federal (STF) que há "barreiras de ordem prática de difícil superação" para impedir o uso de benefícios sociais em apostas esportivas on-line - as chamadas "bets".

Em novembro, o ministro Luiz Fux determinou que o governo tome medidas para proibir que recursos do Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e outros programas sociais sejam direcionados ao pagamento dessa modalidade de apostas. A decisão foi confirmada por unanimidade pelo plenário.

"Conquanto louvável e necessária a preocupação com a situação econômica de indivíduos e famílias vulneráveis, a adoção de 'medidas imediatas' encontra barreiras de ordem prática de difícil superação", disse a AGU em manifestação enviada à Corte na noite da quinta-feira, 12.

No documento, a AGU lista notas técnicas de ministérios e órgãos que apontam dificuldades operacionais para o cumprimento da decisão.

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, por exemplo, disse que não há como distinguir, em cada conta, quais recursos são provenientes dos benefícios e quais vêm de outras fontes.

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O Banco Central afirmou que é possível vedar o uso de cartões de débito para pagar as "bets", mas ponderou que a medida teria eficácia limitada porque as apostas poderiam ser realizadas por outros meios, como cartões pré-pagos e Pix.

A AGU também pediu que a Corte esclareça quais programas sociais são alcançados pela decisão e se os Estados autorizados a explorar as "bets" também são obrigados a cumprir a decisão.

"Além dos diversos programas de benefícios sociais existentes na esfera federal, que não foram exaustivamente especificados no julgado, há também inúmeros benefícios estaduais, não sendo possível depreender da decisão em exame se estes também devem ser incluídos no impedimento de utilização de seus recursos para a realização de apostas de quota fixa", argumentou o órgão ligado ao Executivo federal.

A liminar de Fux foi deferida no âmbito de ações da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), do partido Solidariedade e da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a Lei das Bets, que regulamenta a atividade no País.

Antes de proferir a liminar, o ministro conduziu audiências públicas para ouvir especialistas sobre o tema.

Estadão Conteúdo

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