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Após ataques de tubarão, Eduardo Moura critica falta de prevenção: 'a incapacidade do poder público'

A manifestação ocorreu um dia após uma jovem de 19 anos ter a perna amputada após ser atacada por um tubarão na praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.

Braian

02 de junho de 2026 às 12:35   - Atualizado às 12:41

Eduardo Moura cobra providências imediatas após novos ataques de tubarão no litoral do Recife

Eduardo Moura cobra providências imediatas após novos ataques de tubarão no litoral do Recife Foto: Divulgação e reprodução/redes sociais

O vereador Eduardo Moura (NOVO) cobrou nesta terça-feira, 2 de junho, durante discurso na Câmara Municipal do Recife, a adoção imediata de medidas emergenciais para reforçar a segurança nas praias da capital após os dois incidentes com tubarões registrados em menos de 48 horas no Grande Recife.

A manifestação ocorreu um dia após uma jovem de 19 anos ter a perna amputada após ser atacada por um tubarão na praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Horas antes, um menino de 11 anos também havia sido vítima de um incidente semelhante em Jaboatão dos Guararapes.

Ao se solidarizar com as famílias das vítimas, o parlamentar afirmou que os episódios evidenciam uma ausência histórica de medidas preventivas efetivas por parte do poder público estadual e municipal.

“Só se fala sobre a questão dos tubarões quando alguém perde uma perna ou morre. E não é culpa do animal, ele está no habitat dele. O problema é a incapacidade do poder público de agir preventivamente”, declarou.

Durante o pronunciamento, Eduardo Moura afirmou que o gabinete iniciou a elaboração de uma série de proposições após diálogo com especialistas ligados ao Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (CEMIT).

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Segundo o vereador, o atual período reúne fatores considerados de maior risco para ocorrências envolvendo tubarões no litoral pernambucano.

“Estamos num momento de chuva, em que a água fica mais turva, com menos luminosidade, além do período natural de migração do tubarão-tigre. É justamente um cenário propício para esse tipo de incidente e o poder público precisa tomar precauções imediatas porque estamos falando de vidas”, afirmou.

Entre as medidas defendidas pelo parlamentar está o reforço imediato do efetivo do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) nas áreas já identificadas como de risco. A proposta prevê a permanência de equipes posicionadas preventivamente para retirada de banhistas do mar em situações críticas.

Eduardo Moura também propôs uma interdição temporária de trechos específicos considerados áreas de maior risco durante períodos de maré cheia, com atuação da Guarda Municipal para monitoramento e cumprimento das restrições.

“O objetivo não é fechar a praia, mas adotar medidas temporárias e preventivas em áreas críticas durante momentos de maior risco”, explicou.

Outra medida defendida é a proibição temporária do banho de mar, durante o atual período sazonal, em áreas sem proteção natural de arrecifes locais considerados mais vulneráveis à aproximação de tubarões de grande porte.

O vereador ainda anunciou que apresentará proposta para instalação de telas ecológicas de proteção nas áreas de banho. Segundo ele, o modelo já é utilizado em países como Austrália e África do Sul.

“As telas ecológicas não impedem a circulação dos peixes menores, mas dificultam a entrada de tubarões de grande porte nas áreas utilizadas por banhistas”, disse.

Durante o discurso, o parlamentar também cobrou do Governo de Pernambuco o retorno da atuação do barco Sinuelo, historicamente utilizado no monitoramento marítimo, além da implantação de uma segunda embarcação para ampliar a cobertura do litoral pernambucano.

Eduardo Moura afirmou ainda que soluções estruturais para o problema já foram discutidas ao longo dos anos, mas não avançaram.

“O ideal era que medidas estruturais já tivessem sido implantadas há muito tempo. Houve estudos, houve debates, mas nada saiu do papel”, criticou.

O vereador também afirmou que as discussões sobre segurança marítima acabam sendo retomadas apenas após tragédias de grande repercussão.

“Infelizmente, o debate só ganha força quando alguém morre ou sofre uma mutilação grave. Isso revela a falta de planejamento preventivo para uma situação conhecida há décadas no litoral pernambucano”, declarou.

As propostas deverão ser formalizadas nos próximos dias na Câmara Municipal do Recife e encaminhadas ao Governo de Pernambuco para análise e eventual adoção emergencial.

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