Pernambuco, 04 de Agosto de 2026

Inicio elemento rádio
Icone Rádio Portal

Ouça a Rádio Portal

Final elemento rádio

Deputado do PL faz acordo e vai devolver R$ 1,4 milhão por manter funcionárias fantasmas no gabinete

O acordo homologado pelo STF evita o andamento da ação penal, desde que todas as condições sejam cumpridas dentro dos prazos definidos.

Redação

29 de abril de 2026 às 09:24   - Atualizado às 09:26

Deputado federal João Carlos Bacelar.

Deputado federal João Carlos Bacelar. Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

O Supremo Tribunal Federal (STF) homologou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) firmado entre a Procuradoria-Geral da República (PGR), o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) e Norma Suely Ventura da Silva. A decisão partiu do ministro Alexandre de Moraes e suspendeu o prosseguimento da ação penal mediante o cumprimento de uma série de medidas previstas no acordo.

A investigação apontou que Norma Suely atuou como “funcionária fantasma” no gabinete do parlamentar. Segundo os autos, o deputado do PLutilizou recursos da Câmara dos Deputados destinados à contratação de pessoal para pagar pessoas que, na prática, prestavam serviços particulares à família e às empresas dele.

O acordo determina a reparação integral do dano ao erário. O valor fixado para devolução chega a R$ 1.312.618,09. O documento estabelece que o montante será pago de forma solidária entre o parlamentar e a investigada, em duas parcelas iguais. A primeira parcela deve ser quitada em até 20 dias após a homologação. A segunda parcela deve ser paga em até 40 dias.

Além da devolução, o acordo impõe o pagamento de prestação pecuniária. O deputado deve pagar R$ 96.096. Norma Suely deve pagar R$ 20.275,20. O texto prevê que os valores sejam direcionados, preferencialmente, a entidades públicas ou de interesse social.

O acordo também determina o cumprimento de 280 horas de serviços comunitários em instituições que a Justiça ainda indicará. Ao assinarem o termo, os dois investigados apresentaram confissão formal e circunstanciada dos fatos descritos na investigação.

Veja Também

A Procuradoria-Geral da República apontou que o esquema funcionava de duas formas principais. A primeira envolvia o uso de uma empregada doméstica da família como servidora pública nomeada. Maria do Carmo Nascimento, que trabalhava há mais de 15 anos na residência da família, recebeu nomeação como secretária parlamentar, com salário elevado e gratificações.

Em depoimento, Maria do Carmo afirmou que nunca exerceu qualquer atividade relacionada à Câmara dos Deputados. Ela relatou que manteve apenas as tarefas domésticas que já realizava, incluindo serviços de lavanderia para o deputado e para a mãe dele.

A segunda frente do esquema envolvia Norma Suely. Ela recebeu nomeação como secretária parlamentar em 2009. No entanto, segundo a investigação, ela atuava, na prática, como funcionária e sócia da empresa Embratec, administrada de fato pelo deputado e familiares.

A apuração mostrou que o endereço registrado como escritório político do parlamentar em Salvador coincidia com a sede da empresa. Testemunhas relataram que Norma trabalhava no local, mas não desempenhava atividades ligadas ao mandato parlamentar.

A PGR descreveu o caso como um mecanismo de desvio de recursos públicos para fins privados. O órgão destacou que a prática atingiu não apenas o patrimônio da União, mas também princípios da administração pública, como moralidade, legalidade, impessoalidade e eficiência.

O acordo homologado pelo STF evita o andamento da ação penal, desde que todas as condições sejam cumpridas dentro dos prazos definidos. Caso alguma das medidas não seja respeitada, o processo pode voltar a tramitar normalmente.

TAGS

Mais Conteúdos

Mais Conteúdos

Mais Lidas

Icone Localização

Recife

01:46, 04 Ago

Imagem Clima

24

°c

Fonte: OpenWeather

Notícias Relacionadas

Luquel: eleitores de Lula que votam em Raquel marcam presença na convenção do PSD
Movimento

"Luquel" ganha força em convenção do PSD e reforça apoio de lulistas a Raquel Lyra

Eleitores que votam no presidente Lula e na governadora ignoram aliança entre PSB e PT alegando que o voto é uma escolha livre e individual.

Tenente-brigadeiro Carlos Baptista Junior.
Relato

Ex-comandante da FAB revela em livro bastidores da crise que levou ao 8/1: 'Eu Disse Não!'

Na obra, Baptista Junior narra em primeira pessoa como formou a "trincheira antigolpista" e resistiu às pressões para que os militares aderissem a uma ruptura institucional.

Uber
Eleições 2026

TSE decide que carros de aplicativo não podem exibir adesivos de propaganda eleitoral

Corte manteve multa de R$ 2 mil aplicada a um candidato a vereador de Caruaru e entendeu que veículos usados em aplicativos são bens de uso comum.

mais notícias

+

Newsletter