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Clarissa e Júnior Tércio afirmam que prisão de Bolsonaro é ataque à democracia e à fé

A deputada federal e o deputado estadual divulgaram, neste sábado, 22, um vídeo em que criticam a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Fernanda Diniz

22 de novembro de 2025 às 14:52   - Atualizado às 14:52

Clarissa Tércio, Jair Bolsonaro e Júnior Tércio.

Clarissa Tércio, Jair Bolsonaro e Júnior Tércio. Foto: Reprodução / Redes sociais

A deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE) e o deputado estadual Pastor Júnior Tércio (PP-PE) divulgaram, neste sábado, 22, um vídeo em que criticam a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, detido pela Polícia Federal após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

No pronunciamento, os parlamentares afirmam que a prisão fere a democracia do país, além de colocar em risco a liberdade religiosa do Brasil, tendo em visto que a detenção do ex-presidente foi motivada por uma vigília marcada pelo senador Flávio Bolsonaro, que seria realizada na frente do condomínio onde Jair Bolsonaro mora.

“A prisão de Bolsonaro não representa apenas um ataque a um homem, representa um ataque a todos nós, brasileiros de bem. Um ataque a nossa democracia”, expressou o Pastor Júnior Tércio.

Já Clarissa Tércio declarou que o episódio evidencia representa uma intolerância contra o exercício da fé. A parlamentar, que já participou de uma vigília no condomínio do ex-presidente, afirmou que não há nenhuma razão que justifique a decisão de Alexandre de Moraes.

“Não existe uma condenação definitiva que justifique Bolsonaro ser preso, mesmo assim, Alexandre de Moraes decretou a prisão, alegando garantia da ordem pública. Transformaram uma vigília em risco, uma oração em perigo. O Brasil chegou ao fundo do poço”, expressou a deputada. 

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Os parlamentares afirmam ainda que o caso Bolsonaro acende um alerta nacional sobre liberdade religiosa e reforça a necessidade de a população permanecer atenta aos excessos de poder por parte do Judiciário.

Prisão de Bolsonaro 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes expediu neste sábado, 22 de novembro, ordem de prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O pedido foi feito pela Polícia Federal.

A decisão ainda não marca o início do cumprimento da pena de reclusão.

Em setembro deste ano, Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado por liderar uma organização criminosa em uma tentativa de golpe de Estado para se perpetuar no governo.

Bolsonaro foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, onde ficará em uma sala de Estado, espaço reservado para autoridades como presidentes da República e outras altas figuras públicas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Michel Temer também ficaram detidos em salas da PF

Em nota oficial, a Polícia Federal informou que cumpriu um mandado de prisão preventiva expedido pelo STF.

Ainda não se esgotarem os recursos disponíveis para a defesa do ex-presidente tentar reduzir a pena ou rever eventuais incongruências na decisão tomada pelos ministros da Primeira Turma.

Os advogados do ex-presidente recorreram da decisão do colegiado sob o argumento de a condenação ter sido baseada em provas frágeis e contradições no acórdão, e que o ex-presidente não teve participação direta nos atos apontados pela acusação.

Os criminalistas Celso Vilardi e Paulo Cunha Bueno defenderam no recurso que a decisão da Corte provocou "profundas injustiças" por, dentre outros motivos, ter cerceado o direito à defensa e condenado o ex-presidente mesmo ele tendo feito a "desistência voluntária" do golpe - ou seja, mesmo que se admitisse o início de uma ação golpista, Bolsonaro teria interrompido a execução por vontade própria.

A defesa de Bolsonaro apresentou embargos de declaração contra a decisão da Primeira Turma. Esse tipo de recurso não permitia reverter o resultado do julgamento, pois seu objetivo é esclarecer eventuais contradições, omissões ou obscuridades no acórdão. Os embargos poderiam apenas reduzir a pena do ex-presidente. Porém, em decisão unânime, o colegiado rejeitou as alegações dos advogados.

Na julgamento concluído no dia 11 de setembro deste ano, quatro dos cinco ministros da Primeira Turma consideraram Bolsonaro culpado dos crimes de organização criminosa, golpe de Estado, abolição do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

O único a divergir da condenação de Bolsonaro foi o ministro Luiz Fux, que, no início de novembro, pediu transferência para a Segunda Turma do STF. Desde então, as decisões do colegiado tem sido tomadas pelos ministros Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, por causa do pedido de aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.

Bolsonaro cumpria prisão preventiva em casa desde o dia 4 de agosto deste ano por ter descumprido medidas cautelares impostas por Moraes. O ex-presidente participou por meio de ligação das manifestações bolsonaristas realizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro, e a interação foi transmitida nas redes sociais, o que estava proibido.

Antes disso, o ex-presidente passou 17 dias, entre 18 de julho e 4 de agosto, sendo monitorado por tornozeleira eletrônica por determinação de Moraes. O ministrou avaliou que ele e o filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), tentavam coagir a Justiça no curso da ação penal do golpe por meio de sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos.

Foram identificadas transferências financeiras de Bolsonaro para Eduardo nos Estados Unidos, onde o parlamentar vive desde o início do ano em busca de influenciar a gestão Donald Trump a pressionar o STF pelo arquivamento da ação contra seu pai.

A atuação de pai e filho com ao governo americano se desdobrou em um inquérito conduzido pela Polícia Federal (PF) para apurar obstrução de justiça e tentativa de interferência no processo em julgamento no STF. No último sábado, 15, a Primeira turma decidiu, por unanimidade, tornar Eduardo réu pelo crime de coação.

O tema da prisão acompanha Bolsonaro há anos. O ex-presidente já declarou em mais de uma oportunidade que não aceitaria ser preso .

"Mais da metade do meu tempo, eu me viro contra processos. E até já falam que eu serei preso. Por Deus que tá no céu, eu nunca serei preso", diz Bolsonaro num discurso para empresários em maio de 2022.

Em agosto de 2021, o líder da direita foi ainda mais enfático ao dizer que teria apenas três alternativas de futuro: ser preso, morrer ou vencer. "Pode ter certeza que a primeira alternativa não existe", emendou ao discursar a apoiadores em Goiânia no auge da crise com o STF.

Mais recentemente, Bolsonaro mudou de discurso e disse estar preparado para ser preso a qualquer momento pela Polícia Federal "Durmo bem, mas já estou preparado para ouvir a campainha tocar às seis da manhã: ‘É a Polícia Federal!’", afirmou o ex-presidente em entrevista à revista americana Bloomberg.

A PF cumpriu a ordem de prisão às xx da manhã em sua residência no condomínio Solar de Brasília, no bairro Jardim Botânico da capital federal.

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