Flávio Dino relata ameaças sobre atos do Nepal no Brasil. Fotos: Gustavo Moreno/STF e Getty Images
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino comentou as ameaças que recebeu em razão do seu voto durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus no caso da trama golpista.
Na quarta-feira, 10 de setembro, o magistrado apresentou uma representação junto à Polícia Federal (PF) para apurar as ofensas sofridas.
Segundo o ministro, foram recebidas “milhares” de mensagens que ameaçavam “fazer o Nepal” no Brasil, em referência aos atos violentos que estão ocorrendo no país asiático.
“Ontem mesmo eu representei à Polícia Federal porque passaram o dia [fazendo] milhares de postagem dizendo que eu devia ir para o Nepal, ou que iam fazer o Nepal aqui, e que iam tocar fogo na casa das pessoas”, narrou Dino durante intervenção no voto do ministro Cristiano Zanin.
Em oficio enviado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, Dino disse que passou a ser alvo de “ameaças graves” contra sua vida e integridade física após proferir ontem voto pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete réus pela trama golpista.
O ministro citou que uma das ameaças recebidas fez alusão ao incêndio que matou a esposa do ex-primeiro-ministro do Nepal, em meio a protestos que levaram à renúncia do primeiro-ministro K.P. Sharma Oli.
“Como sabemos, há indivíduos que são conduzidos por postagens e discursos distorcidos sobre processos judiciais, acarretando atos delituosos - a exemplo de ataques ao edifício-sede do STF, inclusive com uso de bombas”, disse Dino.
Em outro caso ocorrido recentemente, a PF indiciou uma mulher que tentou agredir Dino durante voo entre São Luís e Brasília. A acusada, que não teve o nome divulgado oficialmente, vai responder pelos crimes de injúria e incitação do crime.
O episódio ocorreu na segunda-feira (1°), às vésperas do início do julgamento do ex-presidente e seus aliados pela Primeira Turma da Corte.
Na última terça (9), o ministro Flávio Dino votou pela condenação dos réus. Em sua manifestação, detalhou a participação de todos os acusados e se manifestou pela condenação de todos. Para o ministro, houve atos executórios para realização da tentativa golpista.
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A escolha do ministro para comandar as investigações foi feita na quinta-feira (12) após Dias Toffoli pedir para deixar o caso.
Em nota, o supremo informou que o ministro, "considerados os altos interesses institucionais", solicitou a redistribuição do caso para outro integrante do tribunal.
Durante o encontro, o presidente da Corte vai dar ciência aos demais membros do STF sobre o material entregue pela PF.
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