A instituição religiosa negou na justiça, ter imposto ou sugerido a medida ao líder religioso.
13 de março de 2025 às 09:05 - Atualizado às 09:45
Justiça condena Igreja Universal. Foto: Arte/Portal de Prefeitura
Um pastor foi obrigado a fazer vasectomia e a Igreja Universal do Reino de Deus no Ceará foi condenada pela justiça a indenizá-lo no valo de R$ 100 mil por danos morais.
Na ação trabalhista, o religioso alegou que a igreja o induziu a passar pelo procedimento, pois isso seria uma condição para ele prosseguir na carreira.
O pastor narrou que o levaram a uma clínica clandestina, onde realizou a cirurgia. Segundo ele, não houve esclarecimento técnico sobre os riscos nem assinatura de termo de consentimento.
Duas testemunhas confirmaram as alegações do pastor.
A primeira afirmou que foi intimidada a fazer a vasectomia com apenas 20 dias de casada e que o procedimento não ocorreu em uma clínica ou hospital, mas em uma "sucursal da empresa".
Ela declarou ainda que mais 30 pastores foram submetidos à cirurgia. A segunda testemunha afirmou que impõem o procedimento a todos como condição para crescer profissionalmente.
A Igreja Universal negou na justiça, ter imposto ou sugerido a medida ao pastor.
Segundo a instituição, a decisão de realizar a vasectomia é de foro íntimo e pessoal, não tendo qualquer relação com as atividades desempenhadas na igreja.
Para a Universal, o pastor busca apenas enriquecimento em causa própria.
A juíza do trabalho Christianne Fernandes Diógenes Ribeiro afirmou que a prática representa um flagrante abuso do poder do empregador, ultrapassando todos os limites razoáveis.
"A exigência da submissão ao procedimento de vasectomia, conforme evidenciado pelos depoimentos, viola de forma flagrante diversos dispositivos normativos. Ademais, tal conduta viola os princípios fundamentais da dignidade da pessoa humana e dos valores sociais do trabalho", assinalou.
Para o relator do processo na Terceira Turma do TRT-CE, desembargador Carlos Alberto Rebonatto, ficou devidamente comprovado na justiça o dano moral sofrido pelo pastor.
Ele destacou que a indenização visa também desencorajar a Igreja a persistir em tais práticas abusivas. Divulgaram a decisão na última segunda-feira (10). Ainda cabe recurso.
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Segundo investigações, o homem usava sua posição como líder para acessar seus alvos, e, a partir disso, explorava a confiança depositada nele pelas famílias das vítimas.
A denominação, liderada pelo pastor André Valadão, possui mais de 700 filiais no Brasil e no exterior.
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