A decisão foi comunicada pelo Gabinete do Centro do Recife (Recentro), em meio às discussões sobre a recuperação da área para movimentar o comércio da capital
Rua da Imperatriz, centro do Recife Foto: Reprodução /TV Globo
A Rua da Imperatriz, na Boa Vista, área central do Recife, voltará a permitir a circulação de veículos. A mudança deve ocorrer no mês de setembro, após a instalação da sinalização necessária na via, que permanece destinada exclusivamente aos pedestres há quase cinco décadas.
A decisão foi comunicada na quarta-feira, 19 de agosto, pelo Gabinete do Centro do Recife (Recentro), em meio às discussões sobre a recuperação da área e depois de um protesto promovido pela Associação dos Proprietários de Imóveis da Rua da Imperatriz (Impera).
A reabertura para automóveis foi definida após um estudo realizado pela Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), iniciado há cerca de dois anos. De acordo com o Recentro, a análise resultou em um projeto de urbanismo tático apresentado pela autarquia no mês passado.
A proposta surge em um cenário de forte redução da atividade comercial na região.
Segundo informações da Impera, a quantidade de estabelecimentos instalados na Rua da Imperatriz caiu de 83 para apenas 14 ao longo de três décadas. Atualmente, existem 103 imóveis na via.
Para os proprietários, a liberação do tráfego de veículos pode ajudar a recuperar a circulação de consumidores e estimular a ocupação dos imóveis que permanecem vazios.
Já vimos pedindo há muito tempo ao poder público para abrir a Rua da Imperatriz. Outra reivindicação nossa é a questão do IPTU. Para se ter uma ideia, uma loja dessas, que não está funcionando há mais de dez anos, está pagando em torno de R$ 3 mil a R$ 4.500 por mês", afirmou Marcus Gallo, integrante da Impera.
Conhecida simplesmente como Rua da Imperatriz, a via recebeu o nome de Rua da Imperatriz Tereza Cristina, esposa de Dom Pedro II. Antes, era chamada de Rosa e Silva. A homenagem ocorreu após a visita da imperatriz ao local, em 1850.
Durante décadas, a rua esteve entre os pontos mais movimentados do Centro do Recife. Além do comércio, também teve destaque na programação carnavalesca da cidade.
A circulação de automóveis foi interrompida entre 1976 e 1977, quando o local passou a receber grande quantidade de pedestres atraídos pelos estabelecimentos comerciais e serviços.
Com o passar dos anos, porém, o cenário mudou. O esvaziamento do Centro afetou diretamente a Rua da Imperatriz, deixando diversos imóveis sem ocupação.
Entre os negócios que ainda permanecem estão principalmente óticas, muitas delas instaladas por comerciantes que assumiram contratos de aluguel há aproximadamente uma década e continuam tentando manter as atividades.
Antônio Almeida, que já foi proprietário de um dos edifícios da rua, também avalia que a permissão para veículos poderá alterar a realidade do local. Ele vendeu os pavimentos superiores do imóvel e acredita que a circulação de carros poderá contribuir para a recuperação comercial da área.
"A Rua do Aragão, especializada em móveis, tem carros e não tem uma loja desocupada", afirmou.
A comparação é utilizada pelos proprietários para defender que a presença de veículos pode favorecer o acesso aos estabelecimentos e estimular a retomada do comércio.
Segundo o Recentro, o chamado urbanismo tático consiste na adoção de intervenções e sinalizações que buscam reorganizar o uso das vias, tornando a circulação mais segura e adequada às necessidades do espaço urbano.
Além da mudança no trânsito, a administração municipal informou que oferece mecanismos de incentivo tributário para imóveis e atividades instaladas na região central. Entre as medidas estão benefícios relacionados ao pagamento de IPTU, ISS e ITBI.
O Recentro também afirmou que está trabalhando na implementação da remissão de débitos, a partir das demandas apresentadas pelo movimento organizado pelos proprietários dos imóveis da Rua da Imperatriz.
A expectativa é que a reabertura da via para automóveis, aliada às medidas urbanísticas e tributárias, contribua para reduzir o esvaziamento do corredor comercial e favorecer a retomada das atividades econômicas no local.
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