Segundo a investigação, Márcia atua na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, participando da circulação de informações entre integrantes do CV.
Oruam junto da mãe, Márcia Gama, que também é esposa de Marcinho VP e está foragida. Foto: Redes Sociais/Reprodução
Márcia Gama, esposa de Márcio dos Santos Nepomuceno, o "Marcinho VP", líder da facção criminosa Comando Vermelho, e mãe do cantor conhecido nacionalmente como Oruam, é considerada foragida da Justiça após não ser localizada durante o cumprimento da Operação Contenção Red Legacy da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ).
A ação policial prendeu, na manhã desta quarta-feira, 11 de março, o vereador carioca Salvino Oliveira Barbosa (PSD), ex-secretário municipal da Juventude por suspeita de ligação com a organização.
A operação revelou tentativas de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico, com o objetivo de transformar esses territórios em bases eleitorais. Segundo a investigação, o vereador Salvino teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, área sob domínio do Comando Vermelho.
O objetivo da corporação é de desarticular a estrutura nacional do CV, identificada pela investigação como organização criminosa com características de cartel e atuação interestadual altamente estruturada.
As apurações também identificaram a participação direta de familiares de Marcinho VP, no funcionamento dessa organização criminosa. Segundo a investigação, Márcia atua na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, participando da circulação de informações entre integrantes e de articulações envolvendo operadores da organização e agentes externos.
Outro investigado apontado como peça relevante na estrutura é Landerson, sobrinho de Marcinho VP. De acordo com a investigação, ele exerce papel de elo entre lideranças da facção, integrantes que atuam em comunidades dominadas pelo grupo e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pela organização criminosa, como serviços, imóveis e outros negócios utilizados para geração de recursos e expansão do poder do grupo.
Márcia e Landerson não foram localizados em seus endereços e são considerados foragidos da Justiça.
Durante as investigações, também foram identificados casos de criminosos que se passavam por policiais militares para obter vantagens ilícitas, incluindo vazamento de informações e simulação de operações.
“A Polícia Civil ressalta que essas condutas representam traição à instituição e não refletem a atuação da grande maioria dos profissionais da segurança pública, que desempenha seu trabalho com dedicação e compromisso com a sociedade”, afirma a corporação.
O trabalho investigativo aponta ainda uma estrutura criminosa de grande complexidade, com conselho nacional, conselhos regionais e articulação entre organizações criminosas de diferentes estados, inclusive com indícios de cooperação entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Mesmo após quase três décadas no sistema prisional, as investigações indicam que Marcinho VP continua exercendo papel central na estrutura de comando da facção, apontado como liderança do chamado conselho federal permanente do grupo.
A apuração também identificou outros integrantes com funções estratégicas dentro da organização, entre eles o traficante Doca, apontado como principal liderança nas ruas; Luciano Martiniano da Silva, o “Pezão”, responsável pela gestão financeira do grupo; e Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”, encarregado de operacionalizar determinações da liderança.
As investigações seguem em andamento para aprofundar a responsabilização penal de todos os envolvidos e ampliar o combate às estruturas financeiras, operacionais e institucionais utilizadas pela organização criminosa.
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De acordo com a corporação, equipes do 16º Batalhão foram acionadas por vítimas que relataram ter tido os celulares roubados por dois homens armados.
A operação revelou tentativas de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico, com o objetivo de transformar esses territórios em bases eleitorais.
Segundo a polícia, a vítima, de 27 anos, estava com o companheiro, de 34, quando homens armados invadiram a residência e efetuaram disparos.
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