A Prefeitura do Recife não informou o valor do patrocínio do Esportes da Sorte para o São João 2026 após um pedido de acesso a informações sobre os recursos destinados ao evento. A decisão foi comunicada pelo Gabinete de Comunicação, responsável pela gestão dos patrocínios relacionados às festividades promovidas pelo município.
O pedido de informação foi apresentado em 10 de junho pelo jornalista e economista Manoel Medeiros. Segundo as informações apresentadas no processo, houve duas solicitações de revisão antes da resposta final da Prefeitura, registrada no último dia 6.
Na manifestação, a administração municipal afirmou que os dados solicitados estão relacionados a documentos de patrocínio e sustentou que esse tipo de documentação “não se submete ao mesmo regime de transparência dos atos governamentais”.
A resposta gerou questionamentos por parte do solicitante, que informou que pretende levar o caso ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para avaliação.
O Esportes da Sorte foi uma das marcas associadas ao São João do Recife 2026. Entretanto, o valor destinado pela empresa para o patrocínio do evento não foi informado na resposta ao pedido apresentado por Medeiros.
A decisão contrasta com informações fornecidas pela própria administração municipal em relação a eventos anteriores.
No Carnaval do Recife de 2026, por exemplo, a Prefeitura informou, em resposta a um pedido semelhante, que havia recebido R$ 7 milhões em apoio da Esportes da Sorte.
A diferença entre as respostas motivou novos questionamentos sobre os critérios utilizados para a divulgação de informações relacionadas aos patrocínios de eventos públicos.

Diante da negativa, Manoel Medeiros informou que pretende apresentar o caso ao Ministério Público de Pernambuco.
A medida poderá levar o órgão a analisar a situação e verificar se os procedimentos adotados pela administração municipal estão de acordo com as normas aplicáveis aos pedidos de acesso à informação.
Até o momento, conforme as informações apresentadas no processo, a Prefeitura sustenta sua decisão com base na natureza dos documentos solicitados.
A existência de uma eventual irregularidade, portanto, dependerá da análise dos órgãos competentes.
Os contratos relacionados aos patrocínios dos eventos municipais são administrados por uma empresa responsável pela intermediação das parcerias.
Segundo as informações apresentadas no pedido, a Trend Show atua na gestão e no repasse dos valores dos patrocínios aos cofres públicos, mediante remuneração pelo serviço.
A empresa foi contratada pela Prefeitura após processo de licitação realizado em 2024.
O modelo de gestão dos patrocínios também integra os questionamentos apresentados pelo solicitante, que busca informações sobre os valores e a relação financeira envolvendo as empresas patrocinadoras e os eventos realizados pelo município.
A participação de empresas do setor de apostas esportivas em eventos públicos do Recife também já foi alvo de debates políticos.
A gestão municipal de João Campos adotou medidas relacionadas à atividade econômica das empresas do setor, incluindo alterações na tributação para empresas de apostas estabelecidas na capital pernambucana.
O tema ganhou ainda mais repercussão diante do debate nacional sobre publicidade de bets e os limites para a associação dessas marcas a eventos, espaços e iniciativas públicas.
No caso do São João 2026, a discussão passou a envolver especificamente a transparência sobre o valor do patrocínio.
O caso envolve, de um lado, o pedido para que sejam divulgados os valores relacionados ao patrocínio do evento e, de outro, a justificativa apresentada pela Prefeitura para não fornecer os dados solicitados.
A administração municipal afirma que os documentos de patrocínio não estão submetidos ao mesmo regime de transparência dos atos governamentais. Já o solicitante questiona esse entendimento e pretende buscar a avaliação do Ministério Público.
Até que haja uma manifestação dos órgãos responsáveis pela análise do caso, não é possível afirmar que houve irregularidade na conduta da Prefeitura.
O episódio, entretanto, mantém em debate a transparência das relações entre o poder público e empresas privadas que patrocinam eventos municipais, especialmente quando os recursos e contratos estão relacionados a atividades promovidas pela administração pública.
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