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Obra da Orla de Boa Viagem acumula quatro ADITIVOS, atraso na entrega e já custa R$ 151 milhões

Principal intervenção da Prefeitura do Recife teve aumento superior a R$ 41 milhões desde a licitação e segue sem data definitiva para conclusão.

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25 de julho de 2026 às 11:04   - Atualizado às 11:15

Obras de requalificação da orla, dentro do Projeto Orla Parque -

Obras de requalificação da orla, dentro do Projeto Orla Parque - Foto: Edson Holanda / PCR

A obra de requalificação da Orla de Boa Viagem, considerada pela Prefeitura do Recife a maior intervenção urbana realizada na faixa litorânea da capital nas últimas décadas, continua acumulando aumentos de custos e atrasos no cronograma. Com o quarto aditivo contratual, o investimento no contrato principal chegou a R$ 150.893.774,17, valor R$ 41 milhões superior ao orçamento original da licitação, firmado em 2024 por aproximadamente R$ 109,8 milhões.

O novo reajuste, oficializado em julho, acrescentou cerca de R$ 4,8 milhões ao contrato e representa a quarta alteração financeira desde o início da execução da obra.

Ao todo, o empreendimento já registra uma elevação superior a 37% em relação ao valor inicialmente contratado.

Quatro aditivos elevaram custo da obra

Desde o lançamento do projeto, a obra passou por sucessivas revisões financeiras.

Os três primeiros aditivos foram justificados pela Prefeitura do Recife com a necessidade de executar serviços que não estavam previstos inicialmente, como substituição de redes de drenagem, adequações em tubulações de abastecimento de água, ampliação da sinalização da Avenida Boa Viagem, intervenções exigidas por concessionárias e outras adaptações identificadas durante a execução.

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O quarto aditivo teve natureza diferente. Segundo a Secretaria de Projetos Especiais (SEPE), o reajuste decorre da atualização anual dos preços prevista no contrato, calculada com base no Índice Nacional de Custo da Construção Civil (INCC), que acumulou variação de 5,84% entre março de 2025 e março de 2026.

Embora previsto contratualmente, o reajuste ampliou ainda mais o custo da intervenção, que se aproxima da marca de R$ 151 milhões apenas no contrato principal.

Cronograma também sofreu alterações

Além do aumento de custos, a obra também acumula mudanças no cronograma.

Quando foi iniciada, parte da intervenção tinha previsão de entrega para abril de 2026. Posteriormente, o prazo foi prorrogado para junho. Agora, a administração municipal informa que a conclusão da requalificação ocorrerá apenas no segundo semestre de 2026.

Segundo a Prefeitura, o atraso ocorreu devido à necessidade de adequações em redes subterrâneas de água, drenagem, energia elétrica e gás encontradas durante as escavações. A gestão afirma que, embora essas estruturas fossem conhecidas, não havia georreferenciamento preciso de sua localização, o que exigiu revisões técnicas ao longo da execução.

Até a última atualização divulgada pela Prefeitura, aproximadamente 70% da obra havia sido concluída.

Valor total pode ser ainda maior

O contrato principal não representa todo o investimento destinado ao projeto Orla Parque.

Ao longo da execução, a Prefeitura também celebrou contratos complementares para aquisição de mobiliário urbano, paisagismo, melhorias em jardins, implantação de reservatórios de água e outras intervenções associadas à requalificação da orla.

Esses contratos possuem valores próprios e não estão incluídos nos quase R$ 151 milhões do contrato principal, fazendo com que o investimento total destinado ao projeto seja superior ao montante oficialmente contratado para a obra principal.

Obra continua no centro dos debates

A sequência de aditivos ocorre em meio a questionamentos sobre a execução da obra, que recentemente voltou ao debate público após denúncias envolvendo a implantação da infraestrutura de esgotamento sanitário na faixa de areia de Boa Viagem.

Enquanto a Prefeitura sustenta que os reajustes financeiros seguem as regras da Lei de Licitações e refletem necessidades identificadas durante a execução dos serviços, o crescimento contínuo do orçamento e as sucessivas revisões do cronograma têm alimentado críticas sobre o planejamento inicial da intervenção.

Com quatro aditivos assinados, atraso na entrega e um custo que já supera em mais de R$ 41 milhões o valor originalmente licitado, a requalificação da Orla de Boa Viagem permanece como uma das obras públicas de maior impacto financeiro atualmente em andamento na capital pernambucana.

 

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