Manifestação no Marco Zero reuniu moradores da Bacia do Rio Tejipió, que cobraram mais informações sobre reassentamentos, obras contra alagamentos e execução do programa habitacional.
Manifestação por Moradias na Frente da Prefeitura do Recife Foto: Divulgação
Lideranças comunitárias, representantes de igrejas evangélicas e organizações da sociedade civil realizaram, na manhã deste sábado (25), um ato público no Marco Zero, no Recife, para cobrar mais transparência na execução do ProMorar, programa habitacional da Prefeitura do Recife financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Organizada pelo Movimento Gota D'Água, a mobilização reuniu moradores das comunidades do Ipsep, Jardim Uchôa, Caçote, Sapo Nu e Coqueiral. Durante o ato, foi realizada a leitura de uma Carta Manifesto e a coleta de depoimentos de moradores sobre os impactos das intervenções previstas para a Bacia do Rio Tejipió.
Segundo os organizadores, a principal reivindicação é que a Prefeitura do Recife apresente informações claras sobre o andamento das obras e dos processos de reassentamento das famílias que poderão ser afetadas pelo programa.
A Carta Manifesto será encaminhada à Prefeitura do Recife, ao Poder Judiciário e a organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O documento também questiona a atuação do escritório social responsável pela interlocução entre o município e as comunidades atendidas pelo programa.
Entre as reivindicações apresentadas pelo movimento estão a garantia de permanência das famílias nos territórios sempre que possível, reassentamento apenas após a entrega das novas moradias, indenizações consideradas justas para os imóveis atingidos, regularização fundiária e obras estruturantes para reduzir os alagamentos recorrentes registrados na região.
Os participantes também defenderam maior participação dos moradores nas decisões relacionadas ao ProMorar e criticaram ações consideradas insuficientes para atender às demandas das comunidades, especialmente das mulheres.
O ato contou com a participação de entidades como Instituto Solidare, Instituto Transformar, Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec), Movimento Nacional de Direitos Humanos em Pernambuco (MNDH/PE), Nós na Criação e Fórum Popular do Rio Tejipió (Forte), além de lideranças religiosas e representantes das comunidades envolvidas.
Durante a manifestação, os participantes também chamaram atenção para os impactos provocados por enchentes recorrentes nas comunidades da Bacia do Rio Tejipió e defenderam que as intervenções do ProMorar sejam acompanhadas de maior diálogo com a população, transparência na divulgação das informações e participação dos moradores nas decisões sobre o futuro das áreas contempladas pelo programa.
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