Gestão determina portões fechados, controle rigoroso de entrada e reforço da vigilância após episódios de agressão e denúncias envolvendo unidades da rede municipal.
Creches do Recife Foto: Divulgação/Manoel Medeiros
Às vésperas da volta às aulas da rede municipal, a Prefeitura do Recife decidiu endurecer as regras de acesso às escolas e creches da cidade. As novas medidas, determinadas pela Secretaria de Educação (Seduc), incluem portões fechados durante todo o período letivo, identificação obrigatória de visitantes e reforço da vigilância nas unidades.
Embora a gestão apresente as mudanças como uma ampliação dos protocolos de segurança, a decisão ocorre em meio a um cenário marcado por denúncias de violência contra servidores e por questionamentos sobre a estrutura de creches conveniadas ao município.
O ofício encaminhado aos gestores em 11 de junho estabelece uma série de protocolos que deverão ser adotados em toda a rede municipal, incluindo as unidades do Programa Infância na Creche.
Entre as determinações estão o controle rigoroso da entrada de pais e visitantes, monitoramento permanente dos espaços escolares e criação de canais para denúncias de bullying, ameaças e comportamentos suspeitos.
As orientações foram enviadas poucos dias depois de uma auxiliar de Desenvolvimento Infantil ser agredida pela mãe de um aluno dentro de uma creche municipal, episódio que expôs a vulnerabilidade dos profissionais da educação diante da falta de mecanismos mais eficazes de proteção.
O reforço na segurança ocorre em um momento em que a Prefeitura enfrenta críticas relacionadas ao funcionamento de creches conveniadas.
Nas últimas semanas, mães denunciaram problemas como falta de estrutura, alimentação considerada insuficiente, déficit de profissionais e atendimento inadequado a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). As denúncias tiveram ampla repercussão e colocaram em evidência a fiscalização dos contratos mantidos pelo município.
A Secretaria de Educação negou as irregularidades apontadas e afirmou que as unidades seguem os padrões exigidos pela rede.
Professoras da rede municipal ouvidas pelo Jornal do Commercio relataram que, entre os profissionais da educação, circula a percepção de que o endurecimento das medidas de acesso também pode estar relacionado ao período eleitoral e à repercussão das denúncias envolvendo creches parceiras da Prefeitura.
Segundo os relatos, o receio seria de que novos episódios ou registros feitos por responsáveis dentro das unidades escolares ganhassem repercussão durante a pré-campanha eleitoral.
A Secretaria de Educação, entretanto, não confirmou essa relação e afirmou que as medidas fazem parte de uma política permanente de fortalecimento da segurança nas escolas.
Embora o reforço dos protocolos seja apresentado como uma medida de proteção para alunos e servidores, o momento da decisão também reacende o debate sobre as prioridades da gestão municipal.
Para críticos da administração, além de restringir o acesso às unidades escolares, é necessário garantir melhores condições de funcionamento das creches, ampliar a fiscalização das instituições conveniadas e oferecer respostas mais efetivas às denúncias feitas por pais e profissionais da educação.
Com as novas regras entrando em vigor na volta às aulas, caberá à Prefeitura demonstrar que o aumento do controle de acesso será acompanhado por melhorias concretas na qualidade e na segurança da rede municipal de ensino, e não apenas por medidas de vigilância.
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