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Após denúncias, Prefeitura do Recife endurece regras de acesso em escolas e creches da rede

Gestão determina portões fechados, controle rigoroso de entrada e reforço da vigilância após episódios de agressão e denúncias envolvendo unidades da rede municipal.

Portal de Prefeitura

25 de julho de 2026 às 10:50   - Atualizado às 10:58

Creches do Recife

Creches do Recife Foto: Divulgação/Manoel Medeiros

Às vésperas da volta às aulas da rede municipal, a Prefeitura do Recife decidiu endurecer as regras de acesso às escolas e creches da cidade. As novas medidas, determinadas pela Secretaria de Educação (Seduc), incluem portões fechados durante todo o período letivo, identificação obrigatória de visitantes e reforço da vigilância nas unidades.

Embora a gestão apresente as mudanças como uma ampliação dos protocolos de segurança, a decisão ocorre em meio a um cenário marcado por denúncias de violência contra servidores e por questionamentos sobre a estrutura de creches conveniadas ao município.

Medidas vêm após episódios de violência

O ofício encaminhado aos gestores em 11 de junho estabelece uma série de protocolos que deverão ser adotados em toda a rede municipal, incluindo as unidades do Programa Infância na Creche.

Entre as determinações estão o controle rigoroso da entrada de pais e visitantes, monitoramento permanente dos espaços escolares e criação de canais para denúncias de bullying, ameaças e comportamentos suspeitos.

As orientações foram enviadas poucos dias depois de uma auxiliar de Desenvolvimento Infantil ser agredida pela mãe de um aluno dentro de uma creche municipal, episódio que expôs a vulnerabilidade dos profissionais da educação diante da falta de mecanismos mais eficazes de proteção.

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Críticas à gestão também ganharam repercussão

O reforço na segurança ocorre em um momento em que a Prefeitura enfrenta críticas relacionadas ao funcionamento de creches conveniadas.

Nas últimas semanas, mães denunciaram problemas como falta de estrutura, alimentação considerada insuficiente, déficit de profissionais e atendimento inadequado a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). As denúncias tiveram ampla repercussão e colocaram em evidência a fiscalização dos contratos mantidos pelo município.

A Secretaria de Educação negou as irregularidades apontadas e afirmou que as unidades seguem os padrões exigidos pela rede.

Professores levantam hipótese sobre o momento das mudanças

Professoras da rede municipal ouvidas pelo Jornal do Commercio relataram que, entre os profissionais da educação, circula a percepção de que o endurecimento das medidas de acesso também pode estar relacionado ao período eleitoral e à repercussão das denúncias envolvendo creches parceiras da Prefeitura.

Segundo os relatos, o receio seria de que novos episódios ou registros feitos por responsáveis dentro das unidades escolares ganhassem repercussão durante a pré-campanha eleitoral.

A Secretaria de Educação, entretanto, não confirmou essa relação e afirmou que as medidas fazem parte de uma política permanente de fortalecimento da segurança nas escolas.

Segurança reforçada reacende debate sobre prioridades

Embora o reforço dos protocolos seja apresentado como uma medida de proteção para alunos e servidores, o momento da decisão também reacende o debate sobre as prioridades da gestão municipal.

Para críticos da administração, além de restringir o acesso às unidades escolares, é necessário garantir melhores condições de funcionamento das creches, ampliar a fiscalização das instituições conveniadas e oferecer respostas mais efetivas às denúncias feitas por pais e profissionais da educação.

Com as novas regras entrando em vigor na volta às aulas, caberá à Prefeitura demonstrar que o aumento do controle de acesso será acompanhado por melhorias concretas na qualidade e na segurança da rede municipal de ensino, e não apenas por medidas de vigilância.

Denúncias em creches conveniadas aumentaram pressão sobre a rede municipal

  • Expansão baseada em convênios: Cerca de metade das vagas de creche do Recife é ofertada por instituições privadas credenciadas pela Prefeitura. Das 18.619 vagas, 9.119 são mantidas por meio de convênios.
  • R$ 252 milhões em contratos: Desde 2023, a gestão municipal destinou aproximadamente R$ 252,2 milhões para o credenciamento de creches privadas, estratégia adotada para ampliar rapidamente a oferta de vagas na educação infantil.
  • Imóveis adaptados: Parte das unidades conveniadas funciona em casas, galpões e prédios adaptados, modelo que passou a ser alvo de questionamentos sobre infraestrutura, segurança, acessibilidade e adequação para o atendimento de crianças de até três anos.
  • Denúncias de pais e responsáveis: Nas últimas semanas, famílias relataram problemas em creches conveniadas, como alimentação considerada insuficiente, falta de profissionais, déficit de estrutura, crianças dormindo em tatames e dificuldades no atendimento de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A Prefeitura nega irregularidades.
  • Metas ainda não alcançadas: Apesar da ampliação das vagas, o Recife segue abaixo da meta do Plano Nacional de Educação para a primeira infância. Dados oficiais mostram que apenas 41,6% das crianças de 0 a 3 anos estão matriculadas em creches na capital, deixando mais da metade dessa população sem atendimento.
  • Fiscalização em debate: O crescimento do número de creches conveniadas intensificou o debate sobre a necessidade de maior fiscalização da infraestrutura, da qualidade do atendimento e da aplicação dos recursos públicos destinados às instituições parceiras.

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