Novo Aditivo na Orla de Boa Viagem, obra do Prefeito João Campos Foto: Divulgação
A obra de requalificação da Orla de Boa Viagem, uma das principais intervenções em execução pela Prefeitura do Recife, voltou a ficar mais cara. Um novo reajuste contratual elevou o valor da obra para R$ 150.893.774,17, ampliando a diferença em relação ao contrato original, firmado em 2024 por cerca de R$ 109,8 milhões.
Com o novo acréscimo, o custo da intervenção já aumentou em aproximadamente R$ 41 milhões desde a assinatura do contrato, o que representa uma elevação superior a 37% sobre o valor inicialmente licitado.
O reajuste consta em termo aditivo firmado pela Secretaria de Projetos Especiais (SEPE), responsável pela execução do projeto.
Diferentemente dos aditivos anteriores, que incluíram novos serviços e adequações durante a execução da obra, a mais recente alteração decorre da aplicação do reajuste anual previsto no contrato.
Segundo o documento oficial, os preços foram atualizados com base no Índice Nacional de Custo da Construção Civil (INCC), referente ao período entre março de 2025 e março de 2026, resultando em um índice de 5,84%.
Com isso, o contrato passou de R$ 146.075.248,89 para R$ 150.893.774,17, representando um acréscimo de aproximadamente R$ 4,8 milhões apenas nesta nova atualização.
Na prática, este é o quarto aumento registrado desde o início da execução da obra.
A intervenção já havia passado por sucessivos aumentos de custo ao longo dos últimos meses.
Em aditivos anteriores, a Prefeitura do Recife justificou os acréscimos pela necessidade de executar serviços que não estavam previstos originalmente no projeto, como substituição de redes de drenagem, adequações em tubulações de abastecimento de água, ampliação da sinalização da Avenida Boa Viagem e outras intervenções identificadas durante a execução.
Também foram incorporados serviços classificados como extras, incluindo adaptações exigidas por concessionárias, melhorias em equipamentos públicos e outras adequações técnicas.
Agora, o reajuste ocorre em razão da atualização monetária prevista contratualmente.
Além dos reajustes aplicados ao contrato principal, a requalificação da orla também recebeu outros contratos complementares firmados separadamente pela administração municipal.
Entre eles estão contratações destinadas ao fornecimento de mobiliário urbano, serviços de paisagismo, intervenções no Primeiro e Terceiro Jardins, melhorias na área em frente à Pracinha de Boa Viagem e implantação de reservatórios de água.
Esses contratos adicionais não integram o valor principal da obra e elevam ainda mais o investimento público destinado ao projeto.
Em manifestações anteriores, a Prefeitura do Recife informou que parte dos aumentos ocorreu em razão da necessidade de executar serviços identificados apenas durante o andamento da obra, principalmente em função de interferências em redes subterrâneas de água, drenagem, energia elétrica e gás.
A gestão também argumentou que os reajustes financeiros seguem as regras previstas na Lei de Licitações e no próprio contrato, utilizando índices oficiais para recomposição dos custos da construção civil.
A requalificação da Orla de Boa Viagem integra o projeto Orla Parque, considerado pela Prefeitura do Recife a maior intervenção realizada na faixa litorânea da capital nas últimas décadas.
O projeto prevê a modernização de aproximadamente oito quilômetros da orla, com substituição do calçadão, requalificação da ciclovia, implantação de iluminação em LED, recuperação de equipamentos esportivos, melhorias na acessibilidade e renovação da infraestrutura urbana.
Inicialmente prevista para ser entregue em 2026, a obra já teve o cronograma revisto em mais de uma ocasião. Enquanto isso, o custo do empreendimento continua crescendo com novos aditivos e reajustes contratuais, fazendo com que o investimento já ultrapasse a marca de R$ 150 milhões apenas no contrato principal.
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