As beneficiadas foram duas meninas, de quatro e dois meses, moradoras do Recife e de Itaíba, respectivamente, e um menino de três meses, residente em Toritama.
Programa Cuida PE: médicos durante procedimento. Foto: Hospital Maria Lucinda/Divulgação
O Hospital Maria Lucinda (HML) marcou um novo capítulo na sua trajetória assistencial ao realizar, no último dia 10 de maio, suas primeiras cirurgias neurológicas infantis. Os procedimentos — três cirurgias de derivação ventrículo-peritoneal (DVP) — foram viabilizados por meio do Programa Cuida PE, lançado pelo Governo de Pernambuco como estratégia para reduzir a fila de espera por cirurgias, exames e consultas especializadas no estado.
As beneficiadas foram duas meninas, de quatro e dois meses, moradoras do Recife e de Itaíba, respectivamente, e um menino de três meses, residente em Toritama. Todos apresentavam hidrocefalia em decorrência de hemorragias cerebrais relacionadas à prematuridade.
Segundo a neurologista pediátrica Suzana Serra, que atua no HML há cerca de um ano e meio, a hidrocefalia nesses casos surge quando a hemorragia obstrui as vias de circulação do líquido cefalorraquidiano (LCR), impedindo a sua drenagem adequada.
“A função da derivação é justamente coletar esse excesso de líquido no cérebro e direcioná-lo à cavidade abdominal, onde é absorvido pelo peritônio e reintroduzido na circulação”, explica a médica.
O LCR é uma substância produzida dentro das cavidades do cérebro e tem papel fundamental na proteção do sistema nervoso central. Ele atua como um “amortecedor”, protegendo o cérebro e a medula espinhal contra impactos, além de auxiliar na regulação da pressão intracraniana e na eliminação de resíduos metabólicos.
Quando sua circulação é interrompida — por obstruções causadas por hemorragias, tumores ou outras lesões —, esse líquido se acumula dentro do cérebro, causando o quadro da hidrocefalia.
“Esse excesso de LCR aumenta a pressão dentro do crânio, o que pode comprometer o desenvolvimento cerebral da criança e gerar sintomas graves, como sonolência, vômitos, irritabilidade e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor”, explica Suzana Serra.
A derivação ventrículo-peritoneal é o procedimento mais indicado para bebês muito pequenos, nos quais técnicas alternativas, como a terceira ventriculostomia, não são recomendadas.
“Nos prematuros, os ossos do crânio ainda são maleáveis, o que faz com que a cabeça aumente de tamanho quando há acúmulo de LCR. A cirurgia ajuda a aliviar a pressão intracraniana e pode promover ganhos cognitivos e de desenvolvimento”, acrescenta Suzana.
Neste procedimento, são implantados três componentes principais: Primeiro, um cateter ventricular é inserido nos ventrículos cerebrais para coletar o LCR acumulado. Esse cateter é conectado a uma válvula, que regula a pressão e controla o fluxo do líquor, impedindo que ele seja drenado em excesso ou de forma inadequada. Por fim, um cateter peritoneal liga a válvula à cavidade peritoneal no abdômen, onde o LCR é absorvido naturalmente pelo organismo, ajudando a aliviar a pressão intracraniana e prevenir complicações decorrentes da hidrocefalia.
Apesar de rápida — cerca de 45 minutos — a cirurgia requer acompanhamento por toda a vida, uma vez que o cateter implantado pode precisar ser ajustado conforme o crescimento da criança. “Se a válvula falha ou o cateter se desloca, é necessário intervir novamente. Em alguns casos, mais tarde, pode-se avaliar uma cirurgia definitiva sem válvula”, completa a especialista.
A unidade deu início à sua participação no Cuida PE em março de 2025, com a realização de procedimentos de Cirurgia Urológica Pediátrica, tendo como primeiro procedimento a postectomia. Agora, o Hospital também realiza cirurgias neurológicas pediátricas, como a Derivação Ventriculoperitoneal (DVP), e se prepara para ampliar sua atuação com a oferta de cirurgias eletivas nas seguintes modalidades: Derivação Ventricular Externa (DVE), correção de hidrocele, hernioplastia e procedimentos videolaparoscópicos, como colecistectomia laparoscópica (colelap) e ressecção transuretral (RTU).
“Esse momento foi muito batalhado por toda a nossa equipe. Ampliar o escopo cirúrgico do Hospital Maria Lucinda dentro do Cuida PE é resultado de um esforço conjunto, que envolveu planejamento, dedicação e o compromisso em oferecer uma assistência cada vez mais qualificada. Cada nova especialidade incorporada representa um avanço importante no cuidado às nossas crianças e à população pernambucana como um todo”, destacou a superintendente de gestão administrativa do HML, Ana Cristina Passavante.
O Hospital Regional de Palmares, unidade da rede estadual gerenciada pela Fundação Manoel da Silva Almeida / Hospital Maria Lucinda, é um dos importantes polos do programa Cuida PE no interior de Pernambuco. Desde agosto de 2023 até maio de 2025, a unidade já realizou mais de 850 cirurgias eletivas por meio da iniciativa, contribuindo para a redução da fila de espera e a ampliação do acesso a procedimentos especializados. Entre as cirurgias realizadas estão histerectomias, vasectomias, correções de hérnia umbilical e inguinal, colecistectomias e postectomias.
2
00:46, 14 Fev
25
°c
Fonte: OpenWeather
Após a agenda, a governadora destacou que o investimento reforça o desenvolvimento econômico de Pernambuco, impulsionando a inovação e gerando empregos.
O Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE) ameaçou paralisar as atividades durante a passagem do bloco, mas decidiram em Assembleia manter os serviços.
Para o vice-prefeito de Paulista, o momento simboliza mais do que uma agenda institucional.
mais notícias
+