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Homem confundido com primo e preso por engano sob suspeita de feminicídio no Recife será indenizado

No Cotel, o trabalhador relatou que teve suas roupas e sapatos cortados por agentes penitenciários e foi colocado em uma cela superlotada com cerca de 32 detentos.

Cami Cardoso

04 de junho de 2026 às 10:58   - Atualizado às 11:39

Homem confundido com primo e preso por engano sob suspeita de feminicídio no Recife será indenizado

Homem confundido com primo e preso por engano sob suspeita de feminicídio no Recife será indenizado Foto: Reprodução

O Tribunal de Justiça de Pernambuco condenou o governo do estado a pagar uma indenização de R$ 20 mil a João Vitoriano de Mendonça Neto, assistente administrativo de 57 anos, que foi preso injustamente devido a um erro de identificação em um mandado de prisão por tentativa de feminicídio.

A prisão por engano ocorreu no Recife, mas o verdadeiro alvo da ordem judicial era o seu primo, João Vitoriano de Mendonça Júnior, de 49 anos. A sentença foi proferida pelo 3º Juizado Especial da Fazenda Pública da Capital e a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) informou que avalia se irá recorrer da decisão.

A detenção ocorreu em março de 2024, no bairro do Espinheiro, na Zona Norte do Recife, durante o horário de almoço do trabalhador. Apesar de clamar por sua inocência e explicar que se tratava de um equívoco, João foi conduzido de forma coercitiva na frente de colegas de trabalho e clientes da empresa.

No trajeto até a Delegacia da Macaxeira, a vítima relatou ter sofrido forte pressão psicológica por parte dos policiais para que confessasse o crime.

O crime em questão havia ocorrido no município de Carpina, a cerca de 100 quilômetros de onde João de fato estava no dia do ocorrido, passando o dia na praia de Porto de Galinhas.

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A defesa do assistente administrativo chegou a apresentar o rastreamento de localização do celular do cliente às autoridades policiais da delegacia, mas os argumentos foram recusados pelo delegado e pelo escrivão de plantão.

Diante da recusa, João acabou sendo encaminhado para o Centro de Observação e Triagem Criminológica Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima.

Na unidade prisional, o trabalhador viveu momentos de pânico: teve suas roupas e sapatos cortados por agentes penitenciários e foi colocado em uma cela superlotada com cerca de 32 detentos, onde sofreu tentativas de extorsão.

Apesar do trauma, a defesa conseguiu que o juiz plantonista reconhecesse o erro administrativo e expedisse o alvará de soltura no mesmo dia. No total, João Vitoriano passou quatro horas sob custódia do Estado.

Para a defesa, embora o período na prisão tenha sido curto em termos de horas, o cenário de humilhação gerou um abalo emocional incomensurável para o cidadão.

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