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Dino sobre militares em trama: "Muitos dos participantes eram, e não há dúvida, só andam armados"

A fala do ministro aconteceu durante julgamento sobre a suposta tentativa de golpe.

Fernanda Diniz

26 de março de 2025 às 14:21   - Atualizado às 14:26

Ministro Flávio Dino, do STF

Ministro Flávio Dino, do STF Foto: Rosinei Coutinho/ SCO/ STF

Durante o julgamento sobre a suposta trama golpista, nesta quarta-feira, 26 de março, o ministro Flávio Dino afirmou que a acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que a organização criminosa estava armada fazia sentido. Segundo ele, isso se justifica pelo fato de militares das Forças Armadas serem sempre armado. (veja vídeo abaixo) 

"Lembro que muitos dos participantes eram policiais e membros das forças armadas. E este não há dúvida. Esses só andam armados. Eu não conheço nenhum que não ande armado, seja o da ativa quanto os já reformados. Todos andam armados. Alguns são mais apaixonados pelas suas armas do que pelos seus cônjuges", disse o ministro.

Veja vídeo:

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Dino também reforçou a ideia de que militares estão sempre com suas armas, independente de local e momento. 

"Dormem com as armas debaixo do travesseiro. Dormem com as armas na cama. Dormem com as armas ao lado da mesa de cabeceira. Transportam para o univão. Eu fui governador de um estado. Fui ministro da Justiça. Essa é a realidade.

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O ministro baseou a sua tese em até mesmo apreensões feitas no 8 de janeiro, afirmando que houve armas encontradas até mesmo em Ônibus. 

"Então, se havia, como de fato havia, inequivocamente, no conjunto de atos, a presença de integrantes das forças policiais e das forças armadas, não há dúvida: estavam armados, porque essa é da natureza da função. Diria que manter o direito é um dever. E houve, ministra Cármen, a apreensão de armas, inclusive nos ônibus. Eu tenho conta também nos inquéritos policiais quanto ao chamado 8 de janeiro", continuou. 

Dino vota por condenação

 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino votou, no último domingo, 23 de março, pela condenação da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

A decisão do ministro acompanhou a do relator do processo, Gilmar Mendes, levando à soma de quatro decisões favoráveis pela cassação da parlamentar, contra zero votos contrários. Também acompanharam a tese do relator, os ministros Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia.

Carla Zambelli se tornou ré no STF em agosto de 2023, após sacar uma arma de fogo e perseguir o jornalista Luan Araújo pelas ruas de São Paulo, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.

“É uma contradição insanável que um representante político ameace gravemente um representado, como se estivesse acima do cidadão ao ponto de sujeitá-lo com uma arma de fogo, em risco objetivo de perder a sua vida”, destacou Dino ao declarar seu voto.

Outros sete ministros devem votar no plenário virtual até o dia 28 de março. Caso a parlamentar seja condenada, deverá cumprir cinco anos e três meses de prisão em regime semiaberto.

Na sexta-feira (21), o advogado de defesa da deputada, Daniel Bialski, declarou em nota enviada à redação da Agência Brasil que houve cerceamento de defesa, impedida de fazer sustentação oral no julgamento.

“Esse direito do advogado não pode ser substituído por vídeo enviado - cuja certeza de visualização pelos julgadores inexiste”, declarou.

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