O exoplaneta K2-18 b, a cerca de 124 anos-luz da Terra, mostrou sinais de gases ligados a processos biológicos.
18 de abril de 2025 às 13:36 - Atualizado às 13:37
Cientistas descobrem forte indício de existência de vida fora do planeta Terra. Foto: Divulgação
Em uma descoberta potencialmente histórica, cientistas que utilizam o telescópio espacial James Webb detectaram os sinais mais fortes até agora de uma possível vida além do nosso sistema solar. O planeta em questão, K2-18 b, localizado a cerca de 124 anos-luz da Terra, apresentou impressões químicas de gases na sua atmosfera que, na Terra, são gerados por processos biológicos.
Os gases em questão, dimetil sulfeto (DMS) e dissulfeto de dimetila (DMDS), são produzidos na Terra, principalmente por organismos vivos, como o fitoplâncton marinho. Esta descoberta sugere que o planeta pode abrigar vida microbiana. No entanto, os cientistas foram cautelosos ao afirmar que não estão anunciando a presença de organismos vivos, mas sim detectando uma possível bioassinatura — um indicativo de processos biológicos. Mais observações serão necessárias para confirmar a descoberta.
O astrofísico Nikku Madhusudhan, do Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge e autor principal do estudo, demonstrou grande entusiasmo com a descoberta.
“Esses são os primeiros indícios de um mundo alienígena possivelmente habitado”, disse
Madhusudhan em entrevista. “Este é um momento transformador na busca por vida além do sistema solar. Demonstramos que é possível detectar bioassinaturas em planetas potencialmente habitáveis com os recursos atuais. Entramos na era da astrobiologia observacional.”
K2-18 b, que tem 8,6 vezes a massa da Terra e um diâmetro cerca de 2,6 vezes maior, orbita uma anã vermelha situada na "zona habitável", uma área ao redor de uma estrela onde as condições podem permitir a presença de água líquida na superfície. Este planeta se encaixa em uma das hipóteses mais discutidas sobre exoplanetas — os chamados mundos hycean, cobertos por oceanos de água líquida e com atmosferas ricas em hidrogênio, que poderiam ser habitáveis por microrganismos.
Desde a década de 1990, cerca de 5.800 exoplanetas foram descobertos, e os cientistas vêm teorizando sobre a existência de mundos com características propícias à vida. As observações anteriores do telescópio Webb já haviam identificado metano e dióxido de carbono na atmosfera de K2-18 b, marcando a primeira vez que moléculas baseadas em carbono foram detectadas em um exoplaneta na zona habitável de uma estrela.
“O único cenário que atualmente explica todos os dados obtidos até agora pelo JWST, incluindo as observações passadas e atuais, é aquele onde K2-18 b é um mundo hycean repleto de vida”, afirmou Madhusudhan. Ele acrescentou: “No entanto, precisamos estar abertos e continuar explorando outros cenários.”
A detecção dos gases DMS e DMDS foi realizada com uma confiança estatística de 99,7%, o que significa que há uma chance de 0,3% de que se trate de erro ou ruído estatístico. Esses gases são frequentemente associados à atividade biológica na Terra, especialmente por organismos microscópicos. “Para comparação, isso é milhares de vezes mais do que suas concentrações na atmosfera da Terra, e não pode ser explicado sem atividade biológica, segundo o conhecimento atual”, explicou Madhusudhan.
Embora a descoberta tenha gerado grande entusiasmo, cientistas que não participaram diretamente do estudo pediram cautela. Christopher Glein, do Southwest Research Institute, ressaltou:
“Os dados de K2-18 b são riquíssimos, tornando-o um mundo fascinante. Esses novos dados são uma contribuição valiosa, mas devemos testá-los o máximo possível. Espero ver mais análises independentes já na próxima semana.”
K2-18 b pertence à classe de planetas “sub-Netuno”, com diâmetro maior que o da Terra, mas menor que o de Netuno. Para determinar a composição química da atmosfera de exoplanetas, os cientistas analisam a luz das estrelas enquanto o planeta passa na frente delas, em um processo conhecido como método de trânsito. Durante esse fenômeno, parte da luz atravessa a atmosfera do planeta, permitindo que os astrônomos identifiquem os gases presentes.
Embora Madhusudhan tenha destacado que esta descoberta marca um grande passo para a ciência, ele também fez um apelo por prudência. “Primeiro, precisamos repetir as observações duas ou três vezes para garantir que o sinal é real e aumentar a significância da detecção, até que a probabilidade de erro estatístico seja menor que uma em um milhão. Segundo, precisamos de mais estudos teóricos e experimentais para garantir se não há um mecanismo abiótico que possa produzir DMS ou DMDS em uma atmosfera como a de K2-18 b.”
Apesar de toda a cautela necessária, Madhusudhan não escondeu sua empolgação:
“O Santo Graal da ciência de exoplanetas é encontrar evidências de vida em um planeta parecido com a Terra, fora do nosso sistema solar.”
Da redalçao do Portal com informações do G1
3
4
09:42, 05 Mar
30
°c
Fonte: OpenWeather
Mundial nos Estados Unidos, Canadá e México amplia número de partidas e muda fase de grupos.
O treinador alemão não dirige um clube desde 2024, quando deixou o Liverpool e se tornou diretor global de futebol da Red Bull.
País já foi um dos mais liberais do Oriente Médio, com vida noturna vibrante e direitos civis avançados para as mulheres.
mais notícias
+