Sandro Castro. (Foto: Reprodução/ CNN)
Sandro Castro, de 33 anos, neto do ex-ditador Fidel Castro, líder da revolução que instaurou um regime comunista em Cuba, afirmou em entrevista à CNN ser favorável a um acordo com os Estados Unidos e disse acreditar que a maioria da população da ilha deseja um sistema capitalista.
Empresário, dono de uma boate em Havana e influenciador digital, Sandro ganhou notoriedade nas redes sociais ao publicar vídeos com tom satírico sobre a realidade cubana, frequentemente exibindo um estilo de vida considerado luxuoso em contraste com a crise enfrentada pela população.
Durante a entrevista, ele relatou que também enfrenta dificuldades cotidianas no país, como a escassez de serviços básicos e produtos.
“É tão difícil. Você sofre milhares de problemas. Em um dia, pode faltar luz, faltar água. As mercadorias não chegam. É muito difícil, realmente muito difícil”, afirmou.
Apesar das críticas à situação interna, Sandro defendeu uma aproximação entre Havana e Washington. Em vídeos recentes, ele chegou a simular um cenário em que um hotel do presidente Donald Trump seria instalado na capital cubana.
“Há muitas pessoas em Cuba que pensam de forma capitalista. Há muitas pessoas aqui que querem praticar o capitalismo com soberania”, disse à CNN. “Acho que a maioria dos cubanos quer ser capitalista, não comunista”, declarou.
Sandro também negou que seus conteúdos tenham o objetivo de ostentar ou desrespeitar a população cubana, que enfrenta uma grave crise econômica marcada por escassez de alimentos, combustível e apagões frequentes. Segundo ele, os vídeos buscam trazer leveza a um cenário difícil.
“Estou fazendo vídeos sobre uma situação tensa e triste. Pelo menos estou tentando fazer as pessoas felizes. Tirar um sorriso delas. Eu jamais zombaria de uma situação que também me causa sofrimento”, afirmou.
Cuba enfrenta um momento de tensão diplomática e econômica. O país passa por uma grave crise energética, agravada pela interrupção do fornecimento de petróleo da Venezuela e pelas sanções e pressões dos Estados Unidos, o que tem causado apagões e dificuldades em serviços essenciais.
Em meio a esse cenário, o presidente Miguel Díaz Canel confirmou no dia 13 de março, que autoridades cubanas mantiveram conversas recentes com representantes dos Estados Unidos.
Segundo ele, os diálogos têm como objetivo “buscar soluções por meio do diálogo” para as diferenças bilaterais entre os dois países. A declaração foi feita durante reunião com as principais autoridades do governo, transmitida pela emissora estatal cubana.
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