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EUA classificam como "absurdo" temor do governo Lula sobre possível ação militar no Brasil

Departamento de Estado afirma que classificação do PCC e do CV como grupos terroristas não autoriza intervenção militar no Brasil.

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08 de julho de 2026 às 12:46   - Atualizado às 12:50

Lula e Trump

Lula e Trump Foto: Daniel Torok/Casa Branca

O governo dos Estados Unidos afirmou que não há fundamento para relacionar a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras à possibilidade de uma ação militar em território brasileiro. A manifestação foi feita pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, em resposta a declarações do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Segundo o Departamento de Estado, as medidas adotadas por Estados Unidos têm como objetivo combater organizações criminosas transnacionais que atuam no país e não representam autorização para qualquer tipo de intervenção militar no Brasil.

Em nota, a diplomacia norte-americana declarou que os Estados Unidos estão adotando medidas dentro de suas competências soberanas para enfrentar grupos ligados ao narcotráfico e negou que a classificação das facções tenha como finalidade justificar ações militares contra o território brasileiro.

O posicionamento foi divulgado após um documento encaminhado por Mauro Vieira à Câmara dos Deputados. No texto, o chanceler afirmou que a classificação unilateral do PCC e do CV como organizações terroristas poderia gerar impactos em áreas como cooperação financeira, migração e aplicação da legislação penal, além de mencionar um eventual risco de uso da força militar previsto na legislação antiterrorismo norte-americana.

Os Estados Unidos contestaram essa interpretação e afirmaram que alegações sobre uma possível intervenção militar não correspondem ao objetivo das medidas anunciadas.

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Classificação das facções

No fim de maio, o governo do presidente Donald Trump anunciou a decisão de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras. A medida foi oficializada em junho como parte da estratégia de combate ao crime organizado transnacional.

Nos últimos dias, Washington também anunciou sanções contra cidadãos e empresas acusados de integrar uma rede de lavagem de dinheiro supostamente ligada ao PCC. Segundo as autoridades norte-americanas, a estrutura teria movimentado mais de US$ 30 milhões provenientes do tráfico internacional de drogas e de outras atividades ilícitas.

O tema tem gerado repercussão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, especialmente em relação aos possíveis efeitos jurídicos e financeiros da classificação das facções pelo governo norte-americano.

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