Lula e ministro das Relações Exteriores da Rússia Seguei Lavrov, apertando as mãos. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou neste sábado, 26 de setembro, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, que Moscou apoia uma reforma do Conselho de Segurança da ONU para ampliar a representação de países da Ásia, da África e da América Latina.
Na avaliação apresentada pelo chanceler russo, a mudança deveria incluir a criação de assentos permanentes para Brasil e Índia, além de uma maior participação de países africanos na estrutura do principal órgão da ONU responsável por questões relacionadas à paz e à segurança internacionais.
A posição foi apresentada em meio às discussões sobre a reforma do Conselho de Segurança, tema que está em negociação entre os países-membros das Nações Unidas. O processo intergovernamental de reforma busca discutir a representação e o aumento do número de integrantes do órgão.
Ao defender a ampliação da presença de países de regiões atualmente sub-representadas, Lavrov estabeleceu também uma condição para a proposta russa: Moscou não apoia a criação de novos assentos permanentes destinados a países ocidentais.
Durante seu discurso, o ministro citou especificamente Alemanha e Japão. Segundo Lavrov, os dois países não deveriam receber vagas permanentes no Conselho de Segurança.
"A reforma não pode envolver nenhum assento adicional para o Ocidente, especialmente para Alemanha e Japão", afirmou o chanceler russo.
A Alemanha e o Japão fazem parte, ao lado de Brasil e Índia, do chamado G4, grupo que defende uma reforma do Conselho de Segurança e a ampliação da representação permanente. Em negociações realizadas na ONU, o grupo reafirmou a defesa de assentos permanentes para seus quatro integrantes, além da ampliação da representação africana.
A proposta de Moscou, portanto, diverge da posição apresentada pelo G4 sobre a composição futura do Conselho.
Durante sua participação na Assembleia Geral, Lavrov também voltou a criticar a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
O ministro russo afirmou que a ampliação da aliança militar contraria o princípio de uma segurança considerada igual e indivisível. Segundo a posição apresentada por Moscou, não seria possível garantir a segurança de determinados países às custas da segurança de outros.
A declaração ocorre em um momento de novas discussões sobre a arquitetura de segurança internacional e o papel das instituições multilaterais.
A reforma do Conselho de Segurança também ganhou espaço nos debates da atual sessão da Assembleia Geral. O presidente da Assembleia Geral, Khalilur Rahman, defendeu uma estrutura mais representativa e destacou a necessidade de ampliar a participação de regiões atualmente sub-representadas, especialmente a África.
A discussão sobre a composição do Conselho de Segurança se estende há anos nas Nações Unidas. Atualmente, o órgão possui cinco membros permanentes — China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia —, que têm poder de veto, além de membros não permanentes escolhidos para mandatos determinados.
A proposta de reforma continua sendo discutida pelos Estados-membros, sem que haja, até o momento, uma definição sobre um novo modelo de composição. A própria ONU mantém negociações intergovernamentais para tratar da representação e de um eventual aumento do número de integrantes do Conselho.
Com a declaração deste sábado, a Rússia reforçou publicamente o apoio à presença permanente de Brasil e Índia no órgão, ao mesmo tempo em que se posicionou contra a entrada de Alemanha e Japão como novos membros permanentes.
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