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Gleisi Hoffmann sobre taxar LCA e LCI: "Não pode pagar um pouco de imposto?"

A ministra Gleisi definiu as medidas como "estruturantes", porque "elas atacam privilégios tributários".

Fernanda Diniz

16 de junho de 2025 às 13:39   - Atualizado às 14:12

Gleisi Hoffmann

Gleisi Hoffmann Foto: Jose Cruz/Agência Brasil

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, questionou por que alguns setores “não podem pagar um pouco de imposto” e classificou as reclamações como “injustas”. A fala aconteceu em entrevista ao Valor Econômico.

A petista se referia às manifestações de insatisfação provocadas pela proposta de taxação das LCA (Letras de Crédito do Agronegócio) e LCI (Letras de Crédito Imobiliário), medida pensada como compensação à redução do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Gleisi minimizou as críticas, chamando-as de “gritaria”.

"Não compreendo a gritaria sobre isso. Nós estamos falando de cobrar imposto de rentista. Hoje nós temos, entre esses fundos, R$ 1,7 trilhão [em benefícios]. Por que não pode pagar um pouco de imposto? Não é o agricultor que vai pagar imposto. Aliás, essas letras são interessantes. Porque o que elas captam, 50% vão para financiar a atividade produtiva e 50% ficam na instituição financeira. O rentista ganha dos dois e não paga nada. O trabalhador médio, uma empregada, uma professora, pode pagar até 27,5% de Imposto de Renda. Então, é uma gritaria muito injusta", disse a ministra.

A Gleisi definiu as medidas como “estruturantes”, porque “elas atacam privilégios tributários”.

"São medidas para que setores que não pagam nenhum tipo de imposto ou pagam pouco passem a pagar mais. E são setores com muito dinheiro. Combater privilégios, para mim, é estruturante, porque isso drena os recursos do Orçamento, além de ser uma injustiça do ponto de vista social e econômico", continuou.

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A ministra ainda afirmou que o governo fará um contingenciamento cortando emendas parlamentares, caso o Congresso decida derrubar as medidas tributárias tomadas pelo governo 

"Nós estamos acreditando que as medidas que estamos enviando sejam aprovadas, se não integralmente como estão, em sua maioria. Mas sempre caberá ao Congresso 25% do contingenciamento, porque as emendas parlamentares são parte dos recursos discricionários. Eles [congressistas] já estão impactados com o corte que foi feito. O Congresso aprovou essas regras, então bate aqui e bate lá – assinalou.

 

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