O montante representa uma elevação expressiva de 322% em relação ao mesmo período do ano anterior.
27 de março de 2025 às 11:32 - Atualizado às 11:32
Agência dos Correios Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O resultado primário das empresas estatais do Brasil registrou um déficit de R$ 7,4 bilhões no acumulado de 12 meses até janeiro de 2025, conforme dados divulgados pelo Banco Central. O montante representa uma elevação expressiva de 322% em relação ao mesmo período do ano anterior, configurando o maior saldo negativo anualizado desde o início da série histórica, em 2003.
O desempenho negativo foi impulsionado, principalmente, pelas estatais federais, que responderam pela maior parcela do desequilíbrio fiscal. Apenas em janeiro deste ano, o déficit alcançou R$ 1 bilhão. Embora inferior ao déficit de R$ 1,7 bilhão registrado no mesmo mês de 2024, o dado reforça o quadro de fragilidade das contas públicas.
A deterioração das finanças das estatais se intensificou a partir de 2023, culminando em um déficit recorde de R$ 8,07 bilhões ao final de 2024. Do total, R$ 6,73 bilhões foram atribuídos às estatais sob controle da União.
Governo minimiza impacto nas contas públicas
Apesar do agravamento do saldo negativo, o governo descarta a existência de um "rombo" nas contas das estatais. A ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, ressalta que a metodologia utilizada pelo Banco Central considera apenas o resultado primário das empresas, desconsiderando recursos já disponíveis em caixa.
“Isso gera um resultado deficitário mesmo quando as empresas têm lucro”, explicou.
O Banco Central adota a metodologia conhecida como "abaixo da linha", que avalia a necessidade de financiamento das estatais. Esse modelo difere do cálculo do Tesouro Nacional, que utiliza o método "acima da linha", o que pode gerar divergências entre os números da autoridade monetária e os balanços das próprias empresas.
Diante do aumento do endividamento, as contas das estatais seguem sob acompanhamento, enquanto governo e economistas analisam os reflexos do setor no equilíbrio fiscal do país.
Da redação do Portal com informações da Folha do Estado
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