Da Chapada Diamantina ao Vale do Catimbau: cânions, cavernas, sítios arqueológicos e cenários ainda desconhecidos por muitos turistas.
21 de agosto de 2026 às 15:48 - Atualizado às 16:02
Parque Nacional do Catimbau, em Buíque (PE). Foto: Alessandro Max Bearzi/Divulgação
Quando se fala em destinos naturais brasileiros, praias e florestas costumam dominar os roteiros. No entanto, uma região marcada por paredões monumentais, cavernas, pedras gigantes e registros de povos antigos revela outro lado surpreendente do país.
Trata-se da Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro. Segundo o IBGE, ela ocupa aproximadamente 10% do território nacional, principalmente no Nordeste e em uma faixa do norte de Minas Gerais.
Por trás da imagem associada à seca, existe um ambiente diverso, habitado por espécies que desenvolveram formas próprias de sobreviver ao clima semiárido. Essa riqueza natural aparece também em destinos que unem aventura, história, arqueologia e cultura sertaneja.
A Chapada Diamantina abriga uma combinação de vegetações e formações naturais. Cachoeiras, grutas, cânions e trilhas transformaram a região em um dos principais destinos brasileiros de ecoturismo.
Em áreas sob influência da Caatinga, o visitante encontra plantas adaptadas à baixa disponibilidade de água e paisagens que mudam conforme a altitude e o período do ano.
No Sertão Central cearense, os Monólitos de Quixadá formam um cenário singular. As estruturas de granito, conhecidas como inselbergs, fazem parte de uma unidade de conservação com aproximadamente 16 mil hectares.
Na Paraíba, o Lajedo de Pai Mateus chama atenção pelas centenas de blocos arredondados espalhados sobre uma grande superfície rochosa. Localizado na zona rural de Cabaceiras, o atrativo fica em propriedade privada, possui horários determinados e normalmente exige visita acompanhada.
O Parque Nacional do Catimbau está entre os principais destinos de natureza do interior pernambucano. Suas trilhas atravessam cânions, paredões esculpidos pela erosão e áreas preservadas de vegetação nativa.
O parque também conserva sítios arqueológicos com inscrições e pinturas rupestres. De acordo com o ICMBio, alguns desses registros são estimados em até 6 mil anos.
Reconhecida como Patrimônio Mundial, a Serra da Capivara possui abrigos rochosos decorados com pinturas milenares. A Unesco classifica o parque como um dos conjuntos arqueológicos mais relevantes das Américas.
Além dos vestígios humanos, o destino permite observar a paisagem da Caatinga e conhecer como diferentes populações ocuparam o território ao longo do tempo.
O Geoparque Seridó reúne formações geológicas, sítios arqueológicos, comunidades tradicionais e experiências de educação ambiental. O território, formado por seis municípios potiguares, recebeu o reconhecimento de Geoparque Mundial da Unesco em 2022.
Os roteiros ajudam a explicar a formação das rochas e a relação das populações locais com o ambiente semiárido.
Na divisa entre os dois estados, as águas do Rio São Francisco atravessam paredões que podem alcançar dezenas de metros de altura. Os passeios pelo Cânion de Xingó costumam partir de Canindé de São Francisco, em Sergipe, e integram roteiros que também incluem Piranhas, em Alagoas.
O contraste entre as águas e as rochas avermelhadas transformou a região em uma das paisagens mais conhecidas do sertão.
No norte mineiro, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu reúne cânions, cavernas gigantescas e sítios arqueológicos. Em 2025, o Cânion do Rio Peruaçu entrou para a Lista do Patrimônio Mundial da Unesco.
O reconhecimento ampliou a visibilidade de um destino onde a Caatinga encontra formações calcárias monumentais e importantes registros da presença humana.
Antes de viajar, é recomendável consultar as condições de visitação, verificar a necessidade de guias e respeitar as regras das áreas protegidas. Dessa maneira, o turismo contribui para preservar o bioma e movimentar as comunidades que vivem nesses territórios.
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