Pernambuco, 28 de Abril de 2026

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Estudo inédito registra jaguarundi predando duas espécies de lagartos na Caatinga pela primeira vez

Pesquisa da Univasf/Cemafauna analisou conteúdo estomacal de felídeos e descobriu interação inédita com a iguana e o lagarto endêmico Ameivula nigrigula.

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28 de abril de 2026 às 13:35   - Atualizado às 13:45

jaguarundi predando na Caatinga

jaguarundi predando na Caatinga Foto: Cenap - Icmbio / Divulgação

O Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), vinculado à Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), integra mais uma importante publicação científica internacional. Em artigo divulgado em fevereiro de 2026 na revista Herpetology Notes, pesquisadores registraram, pela primeira vez, a predação de duas espécies de lagartos pelo felídeo conhecido como gato-mourisco ou jaguarundi (Herpailurus yagouaroundi) no bioma Caatinga.

O estudo contou com a participação do médico veterinário e taxidermista Fabrício L. Silva, além dos pesquisadores Gabriela Felix-Nascimento, Jacquelline G. N. Oliveira, Judith R. M. Souza, Beatriz C. F. Luz, Dayane F. Oliveira, Leonardo B. Ribeiro, Patrícia A. Nicola, Luiz Cezar M. Pereira e Fabiano M. Vieira, autor correspondente.

A pesquisa traz um avanço significativo para a compreensão das interações ecológicas no semiárido brasileiro. A partir da análise do conteúdo estomacal de dois exemplares de jaguarundi, os cientistas identificaram a presença das espécies Ameivula nigrigula, endêmica do Brasil, e Iguana iguana, amplamente distribuída nas Américas.

Os registros foram obtidos por meio de necropsias realizadas em animais vítimas de atropelamento, posteriormente incorporados à coleção científica do Cemafauna, o que permitiu a identificação precisa das presas a partir de características morfológicas, como escamas, coloração e estruturas corporais.

Até então, não havia registros científicos da predação dessas duas espécies pelo jaguarundi, o que torna o achado inédito e relevante para a ampliação do conhecimento sobre a dieta desse felídeo e as relações tróficas na Caatinga. Para a professora da Univasf e coordenadora do Cemafauna, Patrícia Nicola, a publicação reforça o papel da ciência na compreensão da biodiversidade.

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“Esse tipo de registro amplia de forma consistente o conhecimento sobre as interações ecológicas na Caatinga, especialmente no que se refere às relações tróficas entre espécies. Quando conseguimos documentar eventos inéditos como esse, estamos não apenas preenchendo lacunas científicas, mas também subsidiando estratégias mais eficazes de conservação”, destaca.

“O registro de predação foi realizado durante a execução de trabalho de conclusão de curso da então graduanda em Medicina Veterinária Jacquelline G. N. Oliveira, o qual foi orientado por mim. É importante destacar que embora não fosse o objetivo principal do trabalho, o olhar atento durante a necropsia permitiu ir além e assim fornecer dados importantes sobre a ecologia trófica deste felídeo. Além disso, cabe ressaltar que dentre os autores há discentes de graduação, pós-graduação, docentes e pós-doutorandos, mostrando também a importância do Cemafauna para formação de estudantes e desenvolvimento de pesquisadores”, ressalta a professora Gabriela Félix, pesquisadora colaboradora do Cemafauna.

A participação do médico veterinário Fabrício Silva evidencia o papel do Cemafauna como espaço de formação e produção científica. Segundo ele, a experiência reforça a importância da integração entre prática e pesquisa.

“Participar deste artigo foi extremamente enriquecedor, tanto do ponto de vista técnico quanto científico. O trabalho desenvolvido no Cemafauna nos permite transformar situações que chegam até nós em dados relevantes para a ciência, contribuindo diretamente para o avanço do conhecimento sobre a fauna da Caatinga”, afirma.

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