População de baleias-jubarte cresce 27 vezes no Brasil após décadas de proteção Foto: Reprodução
Um dos maiores símbolos da recuperação da fauna marinha voltou a ganhar força no litoral brasileiro. A população de baleias-jubarte que utiliza as águas do país durante a temporada de reprodução é estimada hoje em cerca de 35 mil animais, um salto expressivo em relação às poucas milhares registradas na década de 1980.
O crescimento é associado principalmente ao fim da caça comercial, à proteção da espécie e a décadas de pesquisa e monitoramento. Segundo o Projeto Baleia Jubarte, a população brasileira chegou a ficar próxima da extinção antes de começar uma trajetória consistente de recuperação.
A estimativa mais recente de 35 mil animais também foi apontada em levantamento citado em 2026. O último censo aéreo mencionado por pesquisadores foi realizado em 2022, e um novo estudo está previsto para atualizar os números da população que migra pela costa brasileira.
A história das jubartes no Brasil é marcada por um contraste impressionante. Depois de décadas de exploração, a caça reduziu drasticamente os animais que frequentavam o Atlântico Sul. A proteção da espécie abriu espaço para que as populações sobreviventes voltassem a crescer.
O Projeto Baleia Jubarte começou suas atividades em 1988, justamente no período em que pesquisadores buscavam conhecer e proteger os animais que ainda utilizavam a região do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Em 1996, foi criado o Instituto Baleia Jubarte (IBJ), que passou a dar suporte institucional ao trabalho.
A proteção também produziu resultados importantes no campo ambiental. Em 2014, a baleia-jubarte foi retirada da lista oficial brasileira de espécies ameaçadas de extinção, reconhecimento associado à recuperação observada pela espécie no país.
Durante o inverno e a primavera, as jubartes deixam áreas de alimentação em águas mais frias e seguem para regiões tropicais e subtropicais. No Brasil, chegam principalmente a partir de junho e permanecem até os meses de outubro e novembro, período em que acasalam, têm filhotes e cuidam dos recém-nascidos.
O Banco dos Abrolhos, entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo, é uma das áreas mais importantes desse ciclo. O local reúne águas rasas e condições favoráveis para reprodução e criação dos filhotes, além de ser considerado um dos principais pontos de observação de baleias no país.
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