Lençóis Maranhenses vistos do espaço em imagem registrada pelo satélite Landsat 9 Foto: Divulgação/NASA
Os Lençóis Maranhenses vistos do espaço ganharam destaque em uma nova imagem divulgada pela Nasa. O registro permite observar, de uma perspectiva pouco comum, a combinação entre as extensas dunas de areia branca e as lagoas que se espalham pelo Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, no Maranhão.
A fotografia foi registrada pelo satélite Landsat 9 em 8 de junho de 2026. O equipamento faz parte de uma missão dedicada ao monitoramento da superfície terrestre e produz imagens utilizadas para acompanhar transformações ambientais e geográficas em diferentes regiões do planeta.
Na imagem, o conjunto de dunas aparece como uma grande área clara próxima ao litoral maranhense. Entre os bancos de areia, destacam-se dezenas de lagoas em diferentes tonalidades, criando um contraste que chama a atenção mesmo quando observado a centenas de quilômetros de altitude.
Embora a paisagem seja frequentemente associada a um deserto por causa da quantidade de areia, os Lençóis Maranhenses apresentam uma característica que os diferencia de ambientes desérticos tradicionais: a presença abundante de água durante parte do ano.
O volume de chuvas na região contribui diretamente para a formação das lagoas. Durante o período chuvoso, a água se acumula nas áreas mais baixas entre as dunas, formando piscinas naturais que mudam de tamanho e aparência ao longo dos meses.
Esse fenômeno ajuda a explicar por que o cenário observado nas imagens de satélite é tão diferente de outras regiões dominadas por dunas.
A combinação entre areia, água e vegetação cria uma paisagem dinâmica. As lagoas também apresentam diferentes tonalidades, que podem variar de acordo com a profundidade, a composição da água e a presença de materiais orgânicos e organismos microscópicos.
A formação dos Lençóis Maranhenses está relacionada a um processo natural que envolve a ação dos rios, dos ventos e do oceano.
Grandes quantidades de sedimentos chegam à região por meio dos cursos d'água. Com o passar do tempo, esses materiais são depositados na faixa litorânea. Os ventos predominantes transportam a areia e contribuem para a formação e movimentação das dunas.
Algumas dessas estruturas podem alcançar aproximadamente 30 metros de altura. Além disso, as dunas não permanecem necessariamente no mesmo lugar: a ação constante dos ventos faz com que parte delas avance gradualmente pela paisagem.
Esse movimento ajuda a transformar o desenho do parque ao longo dos anos.
O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses possui cerca de 156,6 mil hectares e engloba áreas dos municípios de Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão e Primeira Cruz.
A região se tornou um dos principais destinos turísticos do Nordeste justamente pela combinação incomum de dunas e lagoas. A paisagem também ganhou reconhecimento internacional por sua importância ambiental e geológica.
Em 2024, os Lençóis Maranhenses foram reconhecidos pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade, reforçando a relevância do parque para a preservação ambiental e para o turismo brasileiro.
Registros feitos a partir do espaço ajudam a mostrar que a dimensão dos Lençóis Maranhenses vai muito além do que pode ser percebido durante uma visita convencional.
Do solo, o visitante observa grandes dunas e lagoas individualmente. Na visão proporcionada pelo Landsat 9, entretanto, é possível perceber a extensão do campo de dunas e como a água se distribui entre as formações de areia.
A imagem também evidencia como fenômenos naturais que acontecem durante milhares de anos podem produzir uma paisagem singular.
O registro da Nasa coloca novamente os Lençóis Maranhenses vistos do espaço em evidência e mostra, por outro ângulo, por que o parque é considerado um dos grandes patrimônios naturais do Brasil.
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