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Lua está enferrujando: estudo revela motivo desse fenômeno intrigante

Esse processo, que normalmente depende da presença de oxigênio e água, elementos escassos na superfície lunar, despertou a curiosidade da comunidade científica.

Isabella Lopes

30 de setembro de 2025 às 14:49   - Atualizado às 14:49

Lua Cheia.

Lua Cheia. Foto: Freepik

Olhar para a Lua sempre foi motivo de fascínio, mas agora o satélite natural guarda um segredo surpreendente: ele está “enferrujando”. Esse processo, que normalmente depende da presença de oxigênio e água, elementos escassos na superfície lunar, despertou a curiosidade da comunidade científica. Pesquisadores acreditam que a Terra desempenha um papel direto nesse fenômeno intrigante.

De acordo com estudo publicado na revista Geophysical Research Letters, partículas de oxigênio da atmosfera terrestre estão alcançando a Lua e provocando a formação de hematita, um mineral conhecido popularmente como ferrugem. Esse transporte de partículas acontece durante um período específico do mês, quando a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua.

Nessa configuração, chamada de eclipse lunar parcial do vento solar, o planeta bloqueia as partículas carregadas que o Sol envia constantemente. No lugar delas, a Lua recebe íons vindos da atmosfera da Terra, um fenômeno que os cientistas passaram a chamar de “vento terrestre”.

A descoberta da hematita

A primeira pista sobre esse processo surgiu em 2020, quando a missão indiana Chandrayaan-1 identificou hematita nos polos lunares, especialmente no lado voltado para a Terra. A descoberta causou surpresa, já que a formação desse mineral geralmente exige a presença de oxigênio e água líquida, dois elementos considerados improváveis no ambiente lunar.

A hipótese inicial era de que esse oxigênio teria origem terrestre. O novo estudo, liderado por Ziliang Jin, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, confirmou a teoria ao trazer evidências laboratoriais.

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Como a ferrugem lunar se forma

Para reproduzir as condições do espaço, os pesquisadores bombardearam minerais ricos em ferro, semelhantes aos encontrados no solo lunar, com íons de oxigênio e hidrogênio de alta energia. Os resultados mostraram que o oxigênio, ao interagir com esses minerais, promove a oxidação e gera hematita.

O estudo também observou que os íons de hidrogênio, presentes no vento terrestre, podem atuar no sentido contrário, revertendo parte da hematita de volta ao ferro metálico. Porém, esse efeito não é suficiente para eliminar a ferrugem já formada, pois a quantidade de oxigênio transportada da Terra mantém o processo em andamento.

Por que a hematita não desaparece?

Um dos pontos levantados pelos pesquisadores é que o vento solar, formado por íons de hidrogênio de baixa energia, não tem força suficiente para penetrar profundamente no solo lunar. Diferente disso, os íons de hidrogênio de alta energia, trazidos pelo vento terrestre, conseguem influenciar mais diretamente os minerais.

Ainda assim, a presença abundante de oxigênio faz com que a hematita permaneça na superfície da Lua. Em outras palavras, o satélite passa por transformações químicas constantes, estimuladas pelo “sopro” que recebe da Terra.

O que os cientistas sugerem daqui para frente

Embora os experimentos de laboratório tenham reforçado a hipótese, os especialistas destacam que o ambiente lunar é mais complexo do que qualquer simulação. Por isso, defendem que futuras missões espaciais tragam amostras de hematita para análises detalhadas.

Um dos pesquisadores que apoiam a ideia é Shuai Li, da Universidade do Havaí. Ele participou da descoberta inicial da hematita em 2020 e sugere que novos estudos em campo podem confirmar definitivamente a origem do oxigênio que provoca a “ferrugem lunar”.

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