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EUA pretende instalar reator nuclear na Lua antes de China e Rússia

O reator que os Estados Unidos pretende lançar deve gerar ao menos 100 quilowatts de energia.

Eduarda Queiroz

06 de agosto de 2025 às 17:22   - Atualizado às 17:22

EUA pretende instalar reator nuclear na Lua antes de China e Rússia.

EUA pretende instalar reator nuclear na Lua antes de China e Rússia. Fotos: Reprodução/Redes Sociais e NASA

Os Estados Unidos da América (EUA) entraram em contagem regressiva para instalar o primeiro reator nuclear na Lua. Em um movimento estratégico para não perder a dianteira na nova corrida espacial, o governo Trump quer colocar o equipamento em operação até o fim de 2029, à frente dos projetos liderados por China e Rússia, que planejam uma usina lunar para 2036.

A iniciativa foi formalizada com uma nova diretriz assinada por Sean Duffy, atual chefe interino da NASA. O documento, divulgado pelo jornal The New York Times, exige urgência no desenvolvimento da tecnologia, considerada essencial para manter presença sustentável e autônoma no satélite natural.

"Para avançar adequadamente esta tecnologia crítica, apoiar uma futura economia lunar, possibilitar geração de energia de alta potência em Marte e fortalecer nossa segurança nacional no espaço, é imperativo que a agência aja rapidamente", declarou Duffy.

A corrida não é apenas tecnológica. China e Rússia já anunciaram planos para construir um reator nuclear em solo lunar como parte de uma base conjunta no Polo Sul da Lua. O temor americano é que esses países cheguem primeiro e passem a impor limitações às operações de outras nações.

"Se forem os primeiros, podem estabelecer zonas de exclusão e restringir o que os EUA poderão fazer por lá", alertou Duffy.

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O reator que os Estados Unidos pretende lançar deve gerar ao menos 100 quilowatts de energia, volume suficiente para abastecer cerca de 80 casas.

A NASA já havia investido anteriormente em estudos para reatores menores, de 40 quilowatts, mas agora exige mais potência e um cronograma muito mais apertado. Em até 30 dias, um responsável pelo projeto será nomeado, e em até 60 dias será lançada uma chamada pública para empresas interessadas na construção do equipamento.

O local escolhido para a futura base é o Polo Sul da Lua, uma região que abriga crateras permanentemente sombreadas e possível presença de gelo de água, recurso essencial para sustentar a vida e gerar combustível.

No entanto, as condições ali são desafiadoras: a luz solar é escassa e os painéis solares, sozinhos, não conseguem garantir energia contínua. Por isso, a energia nuclear se tornou a aposta principal para garantir operações permanentes no local.

Enquanto isso, China e Rússia intensificam sua parceria. Os dois países assinaram um acordo para construir juntos a Estação Lunar Internacional de Pesquisa (ILRS), prevista para estar operando até 2036 com apoio de outros 17 países, entre eles Venezuela, Egito, Tailândia, África do Sul e Paquistão.

A primeira etapa do projeto será a missão chinesa Chang'e-8, que incluirá experimentos tecnológicos e científicos em preparação para missões tripuladas.

Apesar do avanço tecnológico, o debate jurídico também está em aberto. Os EUA defendem zonas de exclusão ao redor de bases e reatores como forma de proteger suas operações.

No entanto, especialistas em direito espacial alertam que a legislação internacional, como o Tratado do Espaço Exterior, não reconhece esse tipo de reivindicação territorial.

Nem China nem Rússia aderiram aos Acordos de Artemis, tratados liderados pelos EUA que buscam estabelecer diretrizes para a exploração lunar, e isso amplia o risco de conflitos diplomáticos e acirra a disputa por influência no espaço.

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