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Inventor brasileiro do identificador de chamadas morreu sem ver um centavo de seu Bina

Nélio José Nicolai criou a tecnologia que hoje equipa bilhões de celulares, mas enfrentou décadas de processos e nunca recebeu reconhecimento financeiro no Brasil.

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31 de outubro de 2025 às 18:44   - Atualizado às 18:50

Nélio José Nicolai criou a tecnologia que hoje equipa bilhões de celulares

Nélio José Nicolai criou a tecnologia que hoje equipa bilhões de celulares Arquivo Pessoal

Em 1977, Brasília enfrentava um problema que muitos consideram trivial hoje, mas que era incômodo para milhares de pessoas: os trotes telefônicos. Foi nesse cenário que Nélio José Nicolai, eletrotécnico da Telebrasília, teve uma ideia que mudaria para sempre a forma como nos comunicamos.

“E se a gente mostrasse quem está ligando?”, perguntou-se Nélio, percebendo que as centrais telefônicas já conheciam o número de origem das chamadas. Bastava apenas exibir essa informação no visor do telefone.

Adaptando uma calculadora a um aparelho comum, ele criou o primeiro protótipo do que batizou de Bina “B identifica número de A”. Levou a invenção para a Telebrasília, mas a reação foi negativa: “Isso é invasão de privacidade”, disseram.

Mesmo sem apoio, Nélio registrou a patente em 1980. Quatro anos depois, em 1984, a Bell Canada demonstrou interesse na tecnologia. Mas Nélio foi demitido antes do acordo ser fechado. Em 1986, a empresa lançou seu próprio identificador, sem dar crédito ao brasileiro.

A tecnologia se popularizou nos anos 1990. Empresas como Vivo, Claro, Ericsson e Intelbras passaram a utilizá-la sem pagar royalties. Nélio iniciou uma batalha judicial que duraria 35 anos, vendendo casas e carros para custear advogados. Em 2003, grandes multinacionais conseguiram anular sua patente no Brasil.

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Hoje, o identificador de chamadas é usado em 7 bilhões de aparelhos no mundo. No Brasil, são 258 milhões de celulares, com custo médio de R$ 10 por aparelho caso houvesse royalties. Nélio, no entanto, nunca recebeu um centavo.

O reconhecimento internacional chegou: a Organização Mundial da Propriedade Intelectual concedeu-lhe medalha de ouro, mas o país que viu nascer sua invenção jamais lhe deu justiça financeira. Em outubro de 2017, Nélio morreu aos 77 anos, pobre e esquecido.

A história de Nélio José Nicolai é um retrato doloroso do Brasil: um país de inventores brilhantes que frequentemente têm suas ideias exploradas por grandes corporações. Ele não buscava riqueza; queria reconhecimento e justiça. Nunca conseguiu.

O legado, porém, permanece. Cada vez que alguém verifica quem está ligando, está usando uma invenção de um brasileiro que dedicou sua vida à inovação mesmo sem ver retorno.

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