No Agreste e, principalmente, no Sertão, os efeitos típicos da estação podem ser intensificados pela atuação do El Niño, que deve ganhar força ao longo dos próximos meses.
22 de setembro marca o ínicio da primavera Foto: Marcelo Casal Jr./ Agência Brasil
A primavera começa oficialmente no Hemisfério Sul às 21h05 desta terça-feira, 22 de setembro, e deve trazer temperaturas mais elevadas e redução da umidade relativa do ar em Pernambuco.
No Agreste e, principalmente, no Sertão, os efeitos típicos da estação podem ser intensificados pela atuação do El Niño, que deve ganhar força ao longo dos próximos meses.
De acordo com a meteorologista da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), Edvânia Santos, o período entre o fim de setembro e novembro pode registrar condições ainda mais quentes e secas. No Sertão, onde as temperaturas já costumam alcançar aproximadamente 35°C, os termômetros podem subir ainda mais.
Nesse período da primavera, que vai até o dia 21 de dezembro, é natural ter um ambiente mais seco e quente no estado. Mas ele pode se tornar ainda mais seco e mais quente por conta do El Niño. Isso acontece por causa do aumento de temperatura no Oceano Pacífico. Com isso, podemos ter uma umidade em torno de 10% em algumas localidades do estado”, explicou.
O último boletim divulgado pela Apac, na segunda-feira (21), apontou previsão de umidade relativa do ar inferior a 25% até esta quarta-feira (23) em áreas do Agreste, Sertão e São Francisco pernambucano.
Para efeito de comparação, os níveis considerados ideais de umidade relativa do ar ficam entre 40% e 70%. Segundo Edvânia Santos, o El Niño atualmente oscila entre as categorias moderada e forte e deve alcançar uma janela considerada crítica até dezembro, período em que algumas localidades podem registrar temperaturas até 2°C acima da média.
A previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica que o Nordeste deverá apresentar, durante a primavera, predominância de déficit de chuvas e temperaturas acima da média histórica.
Em alguns estados nordestinos, os valores podem ficar próximos ou até superar em 2°C a média climatológica. Apesar da tendência de redução das chuvas em boa parte da região, há possibilidade de precipitações ligeiramente acima da média em áreas do litoral leste nordestino, entre o Rio Grande do Norte e Alagoas.
Na Região Metropolitana do Recife e na Zona da Mata, o cenário deve ser um pouco diferente. Embora os moradores também possam perceber uma elevação nas temperaturas, a proximidade com o Oceano Atlântico deve contribuir para a manutenção de níveis maiores de umidade.
Por estarem mais próximas ao oceano, isso traz umidade para essas cidades, chegando até a provocar pancadas de chuvas isoladas. Isso faz com que a população da Região Metropolitana e da Zona da Mata não sofra tanto com a umidade baixa, apesar da elevação da temperatura”, afirmou a meteorologista.
As condições previstas para os próximos meses também motivaram ações de preparação na área da saúde. Na semana passada, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou um plano nacional voltado à preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) para possíveis impactos relacionados ao El Niño.
O Recife foi escolhido como uma das nove novas bases regionais da Força Nacional do SUS no país. A medida considera os possíveis efeitos provocados pelo calor intenso e pelas alterações climáticas previstas para a estação.
Diante da possibilidade de temperaturas elevadas e baixa umidade, a Apac recomenda que a população acompanhe os boletins meteorológicos e as orientações divulgadas pela agência, especialmente idosos e crianças, considerados grupos mais vulneráveis aos efeitos do calor e do ar seco.
Entre os cuidados recomendados estão evitar atividades físicas entre 10h e 15h, manter uma boa hidratação, utilizar protetor solar e optar por roupas leves. Outra orientação é utilizar uma toalha molhada para ajudar a amenizar os efeitos provocados pela baixa umidade.
A combinação de temperaturas elevadas e pouca chuva também pode favorecer a ocorrência e a propagação de queimadas no interior do estado. Segundo Edvânia Santos, é comum que municípios do Sertão e do Agreste registrem pouca ou nenhuma chuva durante setembro, outubro e novembro.
Com a vegetação mais seca, pequenos focos podem se espalhar rapidamente, principalmente quando provocados por ações humanas. Entre as situações apontadas pela meteorologista estão o descarte inadequado de bitucas de cigarro e determinadas práticas agrícolas.
Muitos dos focos de queimadas são provocados pela ação humana, muitas vezes por conta de uma bituca de cigarro ou algumas atividades na agricultura. Então, a tendência é que esses incêndios aumentem, por conta de todo o ambiente seco e quente. O que pedimos é que as pessoas procurem orientações com os bombeiros e com a Defesa Civil das cidades para evitar que esse grande incêndio aconteça”, orientou.
Segundo o Inmet, a primavera representa um período de transição entre as estações seca e chuvosa, principalmente na região central do Brasil. Entre setembro e novembro, ocorre uma intensificação do transporte de umidade proveniente da Amazônia.
Esse fluxo de umidade contribui para o estabelecimento do período chuvoso em áreas do Centro-Oeste, Sudeste e parte do Centro-Sul do Norte. Já no Norte do Nordeste, especialmente no norte do Piauí e noroeste do Ceará, os acumulados de chuva costumam ficar abaixo de 100 milímetros.
Com o avanço da estação, as temperaturas passam a superar gradualmente os valores registrados durante o inverno. Nas regiões Norte e Nordeste, as médias podem ultrapassar 28°C, além de ocorrerem temperaturas elevadas em áreas do interior do país.
O aquecimento progressivo pode contribuir para a ocorrência de ondas de calor, aumentar o desconforto térmico, elevar a evapotranspiração e reduzir a umidade do solo. O contraste entre massas de ar quente e frentes frias também pode favorecer a formação rápida de tempestades severas em determinadas áreas.
19:33, 22 Set
27
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Fonte: OpenWeather
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