Justiça considerou excessiva a exposição da espectadora diante do público; defesa do cantor sustenta que a retirada ocorreu por segurança.
07 de outubro de 2026 às 10:31 - Atualizado às 11:03
Gusttavo Lima exibe seu novo visual. Foto: Reprodução/Redes sociais
Gusttavo Lima e a empresa Marina de Iracema Park S.A. foram condenados pela Justiça do Piauí a pagar R$ 5 mil por danos morais a uma espectadora retirada de um show em Fortaleza. A decisão trata da exposição de Virginia Carla Bandeira Torres Nogueira durante uma apresentação de Réveillon, na virada de 2022 para 2023, no Marina Park Hotel. O pagamento foi determinado de forma solidária entre os condenados.
A sentença, de 30 de setembro, reconheceu excesso na maneira como o cantor se dirigiu à mulher pelo microfone. A defesa da espectadora informou que pretende recorrer para aumentar a indenização, por considerar o valor insuficiente diante das consequências do episódio.
O que aconteceu durante o show
Durante a apresentação, o sertanejo interrompeu o repertório e acusou Virginia de jogar água em sua direção. Ao pedir que ela fosse retirada, chamou a espectadora de “sem educação” e ofereceu devolver o dinheiro do ingresso.
Virginia apresentou outra versão para o início do conflito. Segundo seu relato, ela havia feito o gesto de “L” com a mão, em referência a Luiz Inácio Lula da Silva, após comentários do cantor favoráveis a Jair Bolsonaro. A mulher afirmou ter sofrido constrangimento no local e ataques nas redes sociais depois da circulação das imagens.
Na avaliação do juiz Carlos Marcello Sales Campos, a possibilidade de adotar medidas de segurança não justificava a exposição pessoal da espectadora diante da plateia.
O magistrado considerou que Gusttavo usou a posição de destaque no palco e o sistema de som para repreender a mulher publicamente. A sentença apontou abuso na condução da situação, ultrapassando os limites de uma intervenção voltada à segurança do evento.
A repercussão digital também entrou na análise. O alcance nacional do artista e a divulgação dos vídeos foram considerados fatores que ampliaram o constrangimento e os ataques contra Virginia.
Na contestação apresentada à Justiça, os advogados de Gusttavo Lima sustentaram que houve arremessos repetidos de garrafas contra o palco. Argumentaram que a retirada era necessária para preservar a segurança e negaram a prática de ato ilícito.
A empresa responsável pelo hotel, por sua vez, alegou que apenas havia alugado o espaço à organizadora da festa e contestou sua responsabilidade pelo ocorrido.
Virginia havia solicitado R$ 500 mil por danos morais. A Justiça acolheu parcialmente a ação, fixou o valor em R$ 5 mil e rejeitou os pedidos de ressarcimento patrimonial. O advogado Decio Mota anunciou que questionará o montante da indenização por meio de recurso.
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