Hospital das Clínicas FMRP Foto: Divulgação
Uma recém-nascida morreu após ser atingida por um bisturi durante uma cesárea realizada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. O caso aconteceu na noite da quinta-feira, 20 de agosto, e está sendo investigado pela Polícia Civil.
A bebê nasceu durante uma cirurgia de emergência, quando a mãe estava na 27ª semana de gestação. Segundo informações registradas no boletim de ocorrência, o instrumento cirúrgico provocou um corte de aproximadamente sete centímetros na cabeça da criança.
O episódio mobilizou uma investigação policial e também uma apuração interna do hospital. Em nota, o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto afirmou lamentar o ocorrido e manifestou solidariedade aos familiares da recém-nascida.
De acordo com o boletim de ocorrência, divulgado pela EPTV, a mãe da bebê tem 20 anos e foi submetida a uma cesariana de emergência. Durante o procedimento, a criança foi atingida pelo bisturi antes de ser retirada do útero.
O ferimento teria alcançado cerca de sete centímetros. A mãe relatou às autoridades que não havia sido informada inicialmente sobre a extensão da lesão. Conforme o depoimento registrado, profissionais da equipe médica teriam comunicado que a filha havia sofrido apenas um pequeno corte na cabeça.
A situação, no entanto, evoluiu de maneira grave e a recém-nascida morreu horas depois, na noite de quinta-feira.
O caso ganhou contornos ainda mais delicados por envolver uma gestação de apenas 27 semanas. Bebês nascidos nesse período são considerados prematuros extremos e podem necessitar de cuidados intensivos devido à imaturidade de diferentes órgãos.
A ocorrência foi registrada na Central de Polícia Judiciária de Ribeirão Preto. A investigação ficará sob responsabilidade do 3º Distrito Policial, que registrou o caso inicialmente como homicídio culposo, modalidade em que a morte ocorre sem intenção de matar.
A classificação registrada pela polícia não significa, neste momento, uma conclusão sobre eventual responsabilidade individual. A investigação deverá reunir informações sobre o atendimento prestado, as circunstâncias da cirurgia, a atuação da equipe médica e as condições clínicas da recém-nascida.
Também deverão ser analisados documentos médicos e outros elementos que possam ajudar a esclarecer a sequência dos acontecimentos.
A apuração será importante para determinar se houve erro ou negligência durante o procedimento e se existe relação direta entre o ferimento provocado pelo bisturi e a morte da criança.
Além do trabalho das autoridades policiais, o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto informou que instaurou uma apuração interna para esclarecer todas as circunstâncias relacionadas ao atendimento.
Em manifestação sobre o caso, a instituição afirmou que “lamenta o ocorrido e se solidariza com a família”.
A investigação administrativa deverá analisar os protocolos adotados durante a cesariana e os procedimentos realizados após a identificação do ferimento.
Até o momento, as circunstâncias exatas que levaram ao contato do bisturi com a cabeça da bebê ainda estão sob apuração. Também não há, segundo as informações apresentadas no registro policial, uma conclusão definitiva sobre as causas da morte.
O caso deverá ser esclarecido a partir da análise técnica e dos depoimentos das pessoas envolvidas no atendimento.
A morte da recém-nascida deixa uma família diante de uma situação marcada pela expectativa de um nascimento prematuro e, posteriormente, pela perda da criança. Enquanto a Polícia Civil conduz a investigação, o hospital busca esclarecer internamente como ocorreu o acidente durante a cesárea.
As autoridades ainda deverão determinar se houve falha no procedimento e quais fatores contribuíram para o desfecho. Até a conclusão das investigações, eventuais responsabilidades individuais não estão definidas.
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