Produtor de festival de música negra "sem artistas negros" se autocontratou com dinheiro público Foto: Reprodução
Luciano Pontes Garcia, o Luciano Ibiapina, produtor responsável pelo Festival de Música Negra realizado no Distrito Federal e que curiosamente não tinha artistas negros na programação se autocontratou com dinheiro público.
O caso, que gerou indignação nas redes sociais pela falta de representatividade, é apenas o capítulo mais recente de um histórico de manobras envolvendo o nome do produtor.
Ibiapina preside a Associação Brasiliense e Promoção à Cultura, Diversidade e Formação (ABC-DF), entidade que recebeu verbas para elaborar o evento. Contudo, essa não é a primeira vez que sua gestão é questionada por operar nas duas pontas de um contrato: como quem paga e como quem recebe.
A estratégia de Ibiapina já havia sido mapeada em 2023. Na época, ele estava à frente do Instituto Candango de Política Social e Econômica Criativa (ICPec), que é, na verdade, a mesma ABC-DF sob um nome antigo.
A associação recebeu R$ 3 milhões da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF) para gerir os desfiles das escolas de samba da capital.
O conflito ético tornou-se escancarado quando se descobriu que o instituto gestor compartilhava o mesmo CNPJ do Grêmio Recreativo Carnavalesco de Vicente Pires (Gruvipi).
Na prática, a entidade de Luciano pagou os jurados que, posteriormente, deram o título de campeã à escola do próprio Luciano. Após o escândalo e as denúncias de favorecimento, a organização mudou de nome, mas manteve o comando e o modus operandi.
O evento, que aconteceu na Praça da Bíblia entre os dias 24 e 26, chamou a atenção por um motivo negativo: a falta de artistas negros no palco principal.
A polêmica ganha peso porque o projeto recebeu R$ 700 mil do Governo Federal, por meio de um edital da Lei Aldir Blanc voltado exclusivamente para a promoção da cultura negra.
O projeto foi aprovado em 2025 com uma proposta clara: realizar um festival focado em artistas negros. No entanto, quem passou pelo local viu nomes de destaque nacional como Melody, Paula Guilherme e DJ Lucas Beat.
Diante da repercussão negativa, a ABC-DF, instituição responsável pelo evento, explicou que a situação foi resultado de dificuldades financeiras e logísticas.
Segundo a produção, sobraram espaços vazios na programação e não havia dinheiro suficiente para contratar mais artistas locais. Por isso, fecharam uma parceria com uma produtora de fora, o que resultou na grade de artistas apresentada.
A organização também se defendeu afirmando que o festival não ignorou totalmente os artistas negros. Segundo os produtores, seis atrações locais de peso participaram do evento, como a cantora Saphira (filha do lendário DJ Jamaika), DJ Chokolaty e o grupo Canto das Pretas.
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