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Piso dos professores deve subir 2,9% em 2026, abaixo da inflação, alertam especialistas

Fórmula atual de reajuste do piso pode deixar docentes com perda real de salário; MEC discute mudanças

Portal de Prefeitura

29 de dezembro de 2025 às 15:29   - Atualizado às 15:38

Professor observando contra-cheque

Professor observando contra-cheque Foto: Reprodução/IA

O piso salarial nacional do magistério deve ter um aumento de 2,9% em 2026, de acordo com a fórmula atualmente em vigor, abaixo da inflação prevista de 3,5%. Isso significa que, se nenhuma mudança for feita, os professores terão perda real de poder de compra, reforçando críticas à regra vigente, considerada instável e pouco previsível por especialistas e gestores educacionais.

A Lei do Piso do Magistério, criada em 2008, determina que o reajuste anual seja baseado no crescimento do valor anual mínimo por aluno do Fundeb, mas a métrica gera flutuações fortes. Em anos de crescimento econômico, o aumento pode ser significativo; em anos de retração, como ocorreu durante a pandemia, os docentes podem ficar sem aumento algum.

Fórmula atual gera instabilidade e insegurança

Especialistas em educação alertam que a regra atual não protege os professores contra a inflação, especialmente em cenários de alta nos preços. Para 2026, a diferença entre o reajuste (2,9%) e a inflação projetada (3,5%) representa uma perda de cerca de 0,6 ponto percentual, prejudicando o poder de compra de quem já recebe salários abaixo da média de outras profissões com nível superior.

O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que negocia com professores, estados e municípios uma nova fórmula de cálculo, que poderia considerar a inflação mais a média de crescimento do Fundeb nos últimos cinco anos ou alternativas como INPC mais 30% do próprio INPC, garantindo aumento real anual.

Resistência de estados e municípios

No entanto, estados e municípios resistem às mudanças. Redes maiores alegam dificuldades financeiras em períodos de queda de arrecadação e pedem contrapartidas do governo federal para viabilizar reajustes consistentes. Por outro lado, parte dos professores teme que a mudança reduza os ganhos futuros, já que a fórmula atual, apesar de instável, em anos recentes garantiu aumentos superiores à inflação.

Impacto real

Com a projeção atual, professores podem enfrentar perda de poder de compra em 2026, enquanto gestores e legisladores buscam uma solução que equilibre valorização docente, estabilidade orçamentária e segurança jurídica. Especialistas reforçam que uma revisão urgente da lei do piso é necessária para evitar que o magistério continue sendo prejudicado pela inflação e pela imprevisibilidade financeira.

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