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PCC e Comando Vermelho declaram fim da trégua após "ética do crime" ser posta em cheque

O objetivo da união das facções, era potencializar a atuação jurídica dentro dos presídios e pressionar por benefícios como visitas íntimas.

Gabriel Alves

30 de abril de 2025 às 08:56   - Atualizado às 09:33

PCC e CV pintados em parede.

PCC e CV pintados em parede. Foto: Thiago Freitas/Agência O Globo

Mensagens interceptadas pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) indicam o possível fim da aliança jurídica entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). As comunicações sugerem que as duas facções decidiram encerrar o pacto que, até então, unificava ações para fortalecer ambas dentro do sistema prisional federal.

Em fevereiro, os serviços de inteligência haviam detectado, em celulares de integrantes das facções, mensagens que apontavam uma articulação conjunta. O objetivo era potencializar a atuação jurídica dentro dos presídios e pressionar por benefícios como visitas íntimas.

No entanto, na última segunda-feira (28), chefes do PCC e do CV enviaram mensagens para membros no Amazonas, Acre, Rio de Janeiro e São Paulo, declarando oficialmente o rompimento.

"Chegou ao fim a aliança e o compromisso", afirmaram.

Em uma das mensagens atribuídas ao PCC, os criminosos justificaram o encerramento da aliança com base em princípios de proteção à vida.

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"O objetivo principal sempre foi poupar vidas, especialmente de dezenas de pessoas inocentes que estavam perdendo suas vidas por pura banalidade. Nosso lema sempre foi e continuará sendo: 'o crime fortalece o crime'. Permaneceremos abertos ao diálogo com todos que são a favor da paz".

Por sua vez, o Comando Vermelho também se pronunciou, destacando que "a partir desta data (28), não mantemos mais qualquer aliança ou compromisso com o Primeiro Comando da Capital (PCC)".

Em seguida, acrescentou: "Reafirmamos que o respeito à vida humana deve estar acima de tudo" e que "princípios não mudam com alianças; nossa conduta é baseada em honra e responsabilidade".

Mesmo antes dessas mensagens, o relatório de inteligência da Secretaria Nacional de Políticas Penais já alertava que a aliança entre as facções poderia extrapolar o campo jurídico, alcançando outras frentes da atividade criminosa.

O promotor Lincoln Gakiya, que acompanha o PCC desde os anos 2000, afirmou que já esperava o fim dessa "trégua". Segundo ele, as diferenças estruturais entre as duas facções tornam esse tipo de aliança instável.

"O PCC é bem diferente do Comando Vermelho. O PCC tem um comando praticamente único, uma sintonia final única, e os estados devem obediência ao que foi determinado por São Paulo. Já no caso do Comando Vermelho, o que a gente observa é que os estados têm uma certa autonomia. Então já haveria uma dificuldade de isso ser acatado, principalmente quando tem esses interesses, pelas rotas, pelos pontos de drogas. Eu já imaginava que essa trégua seria passageira", explicou Gakiya.

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