O comentário ocorre um dia após o governo federal anunciar o aumento da alíquota do imposto sobre algumas operações, como a compra de dólar em espécie por pessoas físicas.
Galípolo, Haddad e Lula Fotos: Roque de Sá/Agência Senado e Ricardo Stuckert
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta sexta-feira, 23 de maio, que “nunca” teve simpatia pela ideia de aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) como forma de elevar a arrecadação e buscar o equilíbrio fiscal do governo federal.
A declaração foi feita durante o XI Seminário Anual de Política Monetária, promovido pelo Centro de Estudos Monetários da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pelo Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), realizado por videoconferência.
O comentário ocorre um dia após o governo federal anunciar o aumento da alíquota do IOF sobre algumas operações, como a compra de dólar em espécie por pessoas físicas e remessas ao exterior. Galípolo ressaltou sua posição pessoal contrária à medida.
“Em debates anteriores, quando se discutia alternativa para perseguição da meta, eu mesmo nunca tive muita simpatia com a ideia [de elevar o IOF]. Não gostava da ideia”, afirmou.
Ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda e próximo do ministro Fernando Haddad, Galípolo disse que a decisão teve caráter exclusivamente fiscal, afastando interpretações de que possa haver tentativa de interferência cambial.
“Está claro que o objetivo ficou bastante evidente que era fiscal, da meta de superávit. Está muito claro que era isso. Mas minha antipatia, resistência, não gostar da ideia de você utilizar a alíquota de IOF como expediente para perseguir a meta fiscal decorre justamente desse receio”, pontuou.
Galípolo também negou que o Banco Central tenha participado da formulação da medida e garantiu que a autonomia da instituição está preservada. Segundo ele, os detalhes da decisão só foram conhecidos durante o anúncio oficial.
Durante o evento, o presidente do BC também saiu em defesa de Fernando Haddad, destacando que é comum que o governo precise revisar medidas tomadas em nome do ajuste fiscal.
Ele citou como exemplo o recuo do ministro em relação ao aumento do IOF para aplicações de fundos nacionais no exterior.
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