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'Falta de caráter do governo', diz apresentador Ratinho sobre reajuste no preço dos medicamentos

Em tom crítico, ele também destacou o impacto direto no bolso dos consumidores.

Cami Cardoso

02 de abril de 2026 às 10:06   - Atualizado às 11:40

'Falta de caráter do governo', diz apresentador Ratinho sobre reajuste no preço dos medicamentos

'Falta de caráter do governo', diz apresentador Ratinho sobre reajuste no preço dos medicamentos Foto: Reprodução

O apresentador Ratinho, fez duras críticas ao reajuste nos impostos sobre medicamentos durante a transmissão de seu programa no SBT. A declaração repercutiu nas redes sociais e reacendeu o debate sobre a carga tributária no país, especialmente em itens essenciais.

Ao comentar o aumento, Ratinho afirmou: “Como o governo brasileiro gosta de imposto, aumentar medicamentos no momento em que falta dinheiro até pra comprar comida é falta de caráter, sabia disso?”. A fala foi feita em tom de indignação e direcionada à política tributária do governo Lula que incide sobre produtos farmacêuticos.  

Em tom crítico, ele também destacou o impacto direto no bolso dos consumidores: “Você entra numa farmácia, na hora que você vai pagar a conta, você pode até ter um infarto. É tudo muito caro.” 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

O reajuste

O reajuste anual no preço dos medicamentos no Brasil para 2026 foi definido com um teto médio de até 2,47%, o menor índice registrado nos últimos 20 anos e abaixo da inflação acumulada dos últimos 12 meses, que ficou em 3,81%. A medida foi estabelecida pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, responsável pela regulação econômica do setor farmacêutico no país.

A portaria com os novos índices foi publicada no dia 31 de março e segue as diretrizes previstas na legislação vigente. Apesar da autorização, os aumentos não são automáticos. Na prática, fabricantes e farmácias podem optar por aplicar reajustes menores, ou até mesmo manter os preços atuais, dependendo das condições de mercado e do nível de concorrência entre as empresas.

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O modelo de regulação brasileiro busca equilibrar dois pontos centrais: a proteção do consumidor contra preços abusivos e a sustentabilidade da indústria farmacêutica, garantindo o fornecimento contínuo de medicamentos. O reajuste ocorre anualmente e segue a metodologia definida pela Lei 10.742/2003, que regula o setor.

De acordo com a Anvisa, que atua como secretaria-executiva da CMED, o cálculo do reajuste parte da inflação medida pelo IPCA, com desconto relacionado aos ganhos de produtividade da indústria. Esse mecanismo permite que parte da eficiência do setor seja repassada à população, resultando em aumentos mais moderados.

Para 2026, foram definidos três níveis máximos de reajuste, conforme o grau de concorrência no mercado:

  • Nível 1: até 3,81% para medicamentos com alta concorrência
  • Nível 2: até 2,47% para medicamentos de média concorrência
  • Nível 3: até 1,13% para medicamentos com pouca ou nenhuma concorrência

Algumas categorias, no entanto, seguem regras específicas e não entram nesse modelo, como medicamentos fitoterápicos, homeopáticos e certos produtos isentos de prescrição com alta competitividade.

A redução consecutiva dos índices desde 2023 contrasta com anos anteriores, quando os reajustes chegaram a ultrapassar 10%. Segundo especialistas, a tendência reforça o papel da regulação na contenção de aumentos expressivos e na ampliação do acesso da população a medicamentos essenciais.

A CMED é composta por diferentes órgãos do governo federal, incluindo os ministérios da Saúde, da Fazenda, da Justiça e da Casa Civil, além do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O objetivo do colegiado é garantir maior transparência, previsibilidade e equilíbrio nas decisões que impactam diretamente o bolso dos brasileiros.

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