Assim como o óleo diesel, o GLP está condicionado a sofrer efeitos pela guerra no Oriente Médio, já que parte do produto que chega no Brasil é importado.
02 de abril de 2026 às 11:45 - Atualizado às 11:47
Leilão durou mais de seis horas e registrou ágio acima de 100% . Fotos: José Cruz/Agência Senado e Fernando Frazão - Agência Brasil. Montagem: Portal de Prefeitura
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou em entrevista à TV Record da Bahia nesta quinta-feira, 2 de março, que vai anular o leilão de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), que foi realizado pela Petrobras na última terça-feira, 31 de março. Lula classificou o certame como "cretinice" e "bandidagem" que, segundo ele, foi feita sem a orientação do governo.
"Foi feito um leilão, com cretinice e bandidagem que fizeram com o óleo diesel. As pessoas sabiam da orientação do governo e da Petrobras: 'não vamos aumentar o GLP'. Pois fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras. Vamos rever esse leilão, vamos anular esse leilão. O povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra", enfatizou.
O leilão durou mais de seis horas e registrou ágio acima de 100%. Mesmo assim, toda a oferta de 70 mil toneladas foi vendida. O total da venda representa cerca de 11% do volume total de GLP comercializado mensalmente no País.
O aumento de preço mais significativo foi registrado no polo Duque de Caxias, com o gás de cozinha saindo de um preço mínimo de R$ 33,37 para R$ 72,77, ágio de 117% em relação ao preço de referência do polo.
Assim como o óleo diesel, o GLP está condicionado a sofrer efeitos pela guerra no Oriente Médio, já que parte do produto que chega no Brasil é importado. O preço do gás de cozinha estava congelado desde novembro de 2024 e a alta vai afetar o programa governamental Gás do Povo, que na avaliação de agentes do setor, terá que ter o seu preço de referência ajustado.
O presidente também disse que o governo federal está estudando a recompra da Refinaria Landulpho Alves, privatizada em 2021 durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Lula também criticou a privatização da BR Distribuidora, finalizada em 2021. Lula disse ter interesse em fazer a recompra, mas isso é possível a partir de 2029.
"Se nós tivéssemos a BR, a gente poderia garantir que o preço não subiria, mas eles venderam a BR. O que é grave é que privatizaram e nós só podemos recomprá-la em 2029. Ou seja, nós não temos hoje distribuidora", afirmou Lula.
Na entrevista, Lula também disse que o governo federal está fazendo esforços para que os efeitos da guerra no Oriente Médio não cheguem no preço dos combustíveis e dos alimentos. Classificando o conflito como "irresponsável" o petista disse que as consequências devem chegar apenas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
"O presidente Trump é que pague, o Netanyahu em Israel que pague, mas o povo brasileiro não vai pagar. Nós não vamos aumentar o óleo diesel para o caminhoneiro", declarou Lula.
Estadão Conteúdo
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