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Empresa proprietária das marcas TokeStok e Mobly pede recuperação judicial; dívida chega a R$ 1,1 Bi

Segundo a empresa, a decisão foi motivada pelas dificuldades enfrentadas pelo setor de móveis e decoração nos últimos anos

Romildo Lacerda

21 de maio de 2026 às 16:38   - Atualizado às 16:41

Loja Tok&Stok;

Loja Tok&Stok; Foto: Reprodução/Tok&Stok;

O Grupo Toky, responsável pelas marcas Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo, na terça-feira, 12 de maio, em uma tentativa de reorganizar sua estrutura financeira e evitar o agravamento da crise enfrentada pela companhia. De acordo com informações do processo, a dívida total do grupo gira em torno de R$ 1,1 bilhão.

Segundo a empresa, a decisão foi motivada pelas dificuldades enfrentadas pelo setor de móveis e decoração nos últimos anos. Entre os principais fatores apontados estão os juros elevados, o aumento do endividamento das famílias brasileiras e a restrição no acesso ao crédito. A companhia afirma que esse cenário afetou diretamente as vendas e comprometeu o fluxo de caixa do grupo.

O Grupo Toky informou ainda que vinha tentando renegociar as dívidas da Tok&Stok junto aos credores, mas o crescimento contínuo do endividamento dificultou o avanço das negociações. Com o pedido de recuperação judicial, a empresa busca preservar as operações, manter os serviços em funcionamento e criar condições para renegociar suas obrigações financeiras.

O processo tramita sob segredo de justiça.

Antes do anúncio da recuperação judicial, o grupo já havia comunicado ao mercado que quatro fundos administrados pela SPX Capital estavam em fase avançada de negociações para vender toda a participação que possuem na empresa, incluindo ações e bônus de subscrição.

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Em meio às tratativas, dois integrantes do conselho de administração deixaram seus cargos: Fernando Porfirio Borges e Felipe Fonseca Pereira, conforme comunicado divulgado pela companhia.

No pedido apresentado à Justiça, o Grupo Toky também solicitou medidas urgentes para evitar um possível colapso operacional. A empresa cita “risco de dano irreparável” e pede, entre outras medidas, a liberação imediata de cerca de R$ 77 milhões referentes a vendas realizadas por cartão de crédito que estariam retidos pelo SRM Bank.

Segundo a companhia, o bloqueio desses recursos afetou diretamente o caixa e colocou em risco compromissos considerados essenciais, incluindo o pagamento dos salários de mais de 2 mil funcionários.

Além disso, o grupo pediu a suspensão, por 180 dias, de cobranças e ações judiciais relacionadas às dívidas, mecanismo conhecido como “stay period”, utilizado em processos de recuperação judicial para permitir a renegociação com credores.

Outro ponto destacado pela empresa é a necessidade de manter contratos e serviços considerados indispensáveis para o funcionamento das operações. O grupo tenta evitar interrupções em áreas como logística, transporte, sistemas digitais, computação em nuvem, fornecimento de energia elétrica e abastecimento de água.

Na petição, o Grupo Toky afirma que os problemas financeiros começaram a se intensificar durante a pandemia da Covid-19. Desde então, mais de 17 lojas foram fechadas. A empresa aponta ainda que fatores como inflação persistente, juros altos, retração do crédito e queda na compra de bens duráveis agravaram ainda mais a situação do setor.

Em 2023, a Tok&Stok chegou a adotar medidas para tentar reequilibrar as finanças, incluindo a renegociação de aproximadamente R$ 339 milhões em dívidas bancárias, um acordo de reestruturação tecnológica com a Domus Aurea e um aporte de R$ 100 milhões realizado pelos acionistas. Apesar das iniciativas, a recuperação financeira não avançou conforme o esperado.

Desde então, o grupo passou a estudar diferentes alternativas de reestruturação, incluindo uma recuperação extrajudicial, até chegar ao atual pedido de recuperação judicial.

O processo também menciona instituições financeiras, empresas de tecnologia, companhias de logística e concessionárias de serviços essenciais entre os credores e parceiros envolvidos nas negociações.

O Grupo Toky foi criado em 2024 após a união entre a Mobly e a Tok&Stok, duas marcas tradicionais do setor de móveis e decoração no Brasil

A Mobly foi fundada em 2011 por Victor Pereira Noda, Marcelo Rodrigues Marques e Mário Carlos Fernandes Filho, com foco em vendas online de móveis e itens de decoração.

Já a Tok&Stok foi fundada em 1978 pelos franceses Régis e Ghislaine Dubrule. A marca ganhou espaço no mercado brasileiro ao apostar em móveis modernos, modulares e acessíveis, acompanhando o crescimento da classe média urbana e do mercado de apartamentos no país.

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